SANTA CASA DA MESERICORDIA
Santa Casa da Misericórdia de Paris procura novo espaço na capital francesa
Paris, 06 mar 2025 (Lusa) – A Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP) procura um novo espaço na capital francesa para "garantir continuidade da sua missão", apelando à participação no "Clube 25 Empresas pela Solidariedade", anunciou hoje a provedora Ilda Nunes, em comunicado.
"A Santa Casa da Misericórdia de Paris continua unida e determinada em garantir a continuidade da sua missão. Estamos ativamente à procura de um novo espaço, digno da história e da ação da SCMP, mas que também seja compatível com o nosso orçamento", afirmou Ilda Nunes, referindo que a instituição procura um espaço com pelo menos 45 metros quadrados por "uma renda máxima de 1.500 euros mensais".
O objetivo é ter também uma área para armazenamento de produtos e a possibilidade de poder "receber condignamente as pessoas" que procuram a organização, bem como ter boas acessibilidades, com "uma estação de metro nas proximidades".
Devido aos valores elevados no centro de Paris, e tendo em conta que, para ficar no espaço ocupado até agora, teria de pagar 3.500 euros mensais de renda à Régie Immobilière de la Ville de Paris (RIVP, agência de habitação pública), com a qual a Confederação do Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP) fez o contrato inicial de arrendamento de dois andares, a SCMP está disponível "para procurar em zonas periféricas".
A SCMP, que dividia o segundo andar da Porte de Vanves com mais três organizações, "a partir de dia 31 de março não terá nada a ver com a Câmara de Comércio", disse à Lusa a provedora da Santa Casa da Misericórdia de Paris, Ilda Nunes, referindo que nunca houve problemas no pagamento da renda, mas a instituição "não tem verbas para pagar 3.500 euros mensais".
"A Misericórdia de Paris não pode fechar portas. Merece, acima de tudo, condições dignas para que os voluntários possam exercer o seu trabalho e para que quem mais precisa seja recebido com a dignidade e o respeito que merece", apelou Ilda Nunes no comunicado.
Além disso, a provedora salientou o convite aos empresários para a participação no "Clube 25 Empresas pela Solidariedade", com uma contribuição mínima anual de mil euros, dedutível fiscalmente, para assim garantir "a continuidade do apoio essencial" aos mais necessitados.
"Sabemos que o desafio é grande, mas acreditamos que, com a solidariedade e o apoio da comunidade empresarial, conseguiremos garantir este futuro", referiu.
Em 26 de fevereiro, o deputado socialista eleito pelo círculo eleitoral da Europa, Paulo Pisco, questionou o Governo, nomeadamente o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, sobre o que vai fazer para evitar o despejo da SCMP e a eventual suspensão do apoio que esta presta à comunidade portuguesa na região da capital francesa.
"A Santa Casa da Misericórdia de Paris nasceu há 30 anos e tem uma sede física desde 2010, num espaço subalugado à Confederação do Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP)", afirmou Paulo Pisco, acrescentando que agora "está em risco de ser despejada das instalações onde atualmente se encontra e, eventualmente, ter de suspender as suas atividades solidárias ao serviço da comunidade portuguesa".
A SCMP, fundada em 1994 por um grupo de portugueses preocupados com as dificuldades de alguns compatriotas e o agravamento da precariedade, ajuda a comunidade portuguesa e lusófona prestando apoio alimentar, psicológico, a situações de isolamento, ajuda de permanência telefónica, entre outros.
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