LDT NEWS 10 de Janeiro 2025
Este é o décimo dia do ano.
Faltam 356 dias para o termo de 2025.
Pensamento do dia:
"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito".
Albert Einstein (1889-1955), cientista alemão, naturalizado norte-americano,
Prémio Nobel da Física.
Silence 4 (DAVID FONSECA)

Arcos de Valdevez garante 2ME do PRR para construir escola de ensino artístico
Arcos de Valdevez, Viana do Castelo, 07 jan 2025 (Lusa) – A Câmara de Arcos de Valdevez revelou hoje ter garantido mais de dois milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a construção na escola EB 2,3/S de um edifício destinado ao ensino artístico.
Em comunicado, a autarquia do distrito de Viana do Castelo refere que o novo edifício vai dar resposta "ao aumento da procura e do interesse dos alunos arcuenses no ensino artístico".
Com "uma área de construção de aproximadamente 1.400 metros quadrados, o edifício tem dois pisos e organizar-se-á em torno do auditório, com capacidade para 100 utentes".
Está "prevista a criação de espaços especializados para o ensino de artes dramáticas, como é o caso da dança, dispondo para o efeito de um estúdio e uma sala de trabalho/caracterização, vestiários e balneários".
O "piso inferior será dedicado ao ensino da música e do teatro, comportando 12 salas de estudo e prática de instrumento, três salas de formação musical, camarins e outras salas de apoio".
O projeto prevê "a criação de uma zona de receção, com tesouraria e secretaria incorporada, gabinetes para a direção, professores e reuniões".
A obra "é cofinanciada pelo Fundo Europeu, programa Plano de Recuperação e Resiliência na Medida Modernização dos Estabelecimentos Públicos de Ensino dos 2º e 3º Ciclos e Secundários".
O principal objetivo desta Operação é Implementação de um edifício no recinto da Escola EB 2,3/S de Arcos de Valdevez, que respondam às necessidades específicas do ensino articulado.
"Pretende-se que seja possível estudar música, teatro ou dança, no ensino público em articulação com o horário da escola, ou seja, conjugar as componentes de ensino artístico com as restantes componentes do ensino regular", realça a nota.

"PARTIS & Art for Change" 2024 apoia 15 projetos portugueses de arte participativa
Lisboa, 06 jan 2025 (Lusa) – Projetos de arte participativa que envolvem doentes oncológicos e os seus cuidadores, trabalhadores da indústria têxtil e comunidades migrantes estão entre os 15 que irão ser apoiados no âmbito do programa "PARTIS & Art for Change" 2024.
De acordo com a Fundação Calouste Gulbenkian, em comunicado, a terceira edição da iniciativa irá apoiar 15 projetos, escolhidos entre 86 candidaturas, que "cobrem intervenções tão variadas quanto o teatro, a música, a dança, as artes plásticas e o vídeo, com algumas propostas multidisciplinares".
Os projetos irão receber cerca de 30 mil euros, cada um, para o desenvolvimento do 'ano piloto' (2025). Dos 15, dez serão selecionados para continuarem por mais dois anos, "num investimento total de até 1,5 milhões de euros em subsídios e ações de capacitação, a partilhar em partes iguais entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação 'la Caixa'".
"Entre os temas abordados, destaca-se a interceção entre as artes, o clima e a sustentabilidade, o envolvimento de participantes diretos como, entre outros, doentes oncológicos e os seus cuidadores, trabalhadores da indústria têxtil, e ainda o reforço de projetos nas áreas da integração de comunidades migrantes (e seus descendentes) em diferentes pontos do país", lê-se no comunicado.
A fundação destaca que dos 15 projetos selecionados, a larga maioria (12) "desenvolvem-se fora das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, cobrindo novos territórios no âmbito da iniciativa 'PARTIS & Art for Change', nomeadamente: Abrantes, Aveiro, Beja, Entroncamento, Ílhavo, Lagoa, Miranda do Douro, Ponta Delgada e Povoação".
Os projetos escolhidos são da responsabilidade das associações Anda & Fala, Hirundo (Associação Para O Pensamento Crítico, Cultura e Desenvolvimento), Chamadarte, Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural, Associação de Moradores do PER 11, Paisagem Periférica, Associação Rio Neiva, DCTR, 4ISCT – Inovação Social, Soma Collective, Associação Cultural Casa Invisível, Fundação O Cerro, Faz Cultura, Grupo de Teatro do Oprimido de Lisboa e Beira Serra.
Esta é a terceira edição de uma iniciativa que junta a Fundação Calouste Gulbenkian e a fundação espanhola "la Caixa", duas instituições que já tinham em curso projetos semelhantes - o "PARTIS", do lado de Portugal, e o "Art for Change", do lado de Espanha.
A Fundação Calouste Gulbenkian apoia, desde 2013, projetos de intervenção social pelas artes através do programa PARTIS - Práticas Artísticas para a Inclusão Social.
A iniciativa Art for Change, da "la Caixa", existe desde 2008 em Espanha e foi criada "com o objetivo de apoiar projetos artísticos que promovessem a transformação social".
Na edição anterior do "PARTIS & Art for Change", respeitante ao triénio 2022-2025, foram apoiados, entre outros, o "Aldeias Criativas – Satélites Culturais na Serra do Gerês", de combate ao isolamento demográfico e social, o projeto "Nós os loucos - Pesquisa e Mostra de Arte Bruta em Portugal", e o "Lungo Room - A Longa Estrada", de Elvas, para crianças e jovens de etnia cigana.

Festival Monte Verde com Seu Jorge, Slow J e Silence 4 no cartaz
Ribeira Grande, Açores, 07 jan 2025 (Lusa) – O festival Monte Verde vai realizar-se este ano de 07 a 09 de agosto, tendo como artistas confirmados Seu Jorge, Silence 4, Slow J e Piruka, anunciou hoje a organização do evento.
No Meo Monte Verde, Seu Jorge, "ícone da música brasileira e internacional, junta-se a Silence 4, a banda que marcou toda uma geração e que regressa agora aos palcos para celebrar os 30 anos da sua formação".
O primeiro lote de artistas fica completo com o anúncio de Slow J e Piruka, atualmente dois dos maiores nomes da música nacional.
Tendo como palco a cidade da Ribeira Grande, o festival vai cumprir 11 edições após uma décima edição de "enorme sucesso, onde mais uma vez o festival bateu recordes de espectadores", segundo a organização.
O festival promete "muitas novidades para os próximos meses numa programação que além de toda a vertente artística continuará a contar com espaço para o campismo e para as atividades desportivas".
SLOW J INTERVIEW

Ana Moura, Capitão Fausto e Mão Morta no festival Sons de Vez deste ano
Arcos de Valdevez, Viana do Castelo, 07 jan 2025 (Lusa) – Ana Moura, Capitão Fausto, Mão Morta e The Last Internationale estão entre as bandas e artistas que compõem o cartaz do 23.º Sons de Vez, festival que acontece em fevereiro e março, em Arcos de Valdevez.
"O melhor da música nacional faz-se ouvir num total de oito sábados, de 01 de fevereiro a 22 de março, naquele que é o primeiro festival do ano", refere a organização do Sons de Vez, num comunicado hoje divulgado.
O festival decorre, como habitualmente, na Casa das Artes e a 23.ª edição arranca com os Capitão Fausto, no dia 01 de fevereiro. Nesse dia, a primeira parte é assegurada por Bilrus, projeto de João Robim, Márcio Silva e Nuno Biltes, "que percorre as vertentes mais alternativas e experimentais do rock, caracterizando-se pela forte presença de elementos da eletrónica".
Para 08 de fevereiro estão marcadas as atuações de Mazgani e Ana Lua Caiano e para o dia 15 as de Selma Uamusse e emmy Curl.
Ana Moura sobe ao palco da Casa das Artes no dia 22 de fevereiro.
Já em março, no dia 01, atuam os The Last Internationale e os Unsafe Space Garden, e no dia 08 Marta Ren e o projeto A SUL, de Cláudia Sul.
Jorge Cruz sobe a palco no dia 15 de março, antecedido por Diogo Zambujo, "jovem cantautor natural de Beja e herdeiro de uma forte tradição musical e familiar".
A 23.ª edição do Sons de Vez termina em 22 de março, com os Mão Morta, num espetáculo de celebração dos 40 anos de carreira da banda.
O festival inclui também uma exposição de fotografia "com a compilação dos momentos mais marcantes da edição anterior", que estará patente do 'foyer' do Auditório da Casa das Artes.
Os bilhetes para os concertos do 23.º Sons de Vez custam entre os seis e os dez euros e estarão à venda "no primeiro dia da semana de cada espetáculo, unicamente via telefone pelo número da Casa das Artes 258 520 520".

Escritora Djaimilia Pereira de Almeida vence Prémio Vergílio Ferreira 2025
Évora, 09 jan 2025 (Lusa) – A escritora Djaimilia Pereira de Almeida venceu o Prémio Vergílio Ferreira 2025 da Universidade de Évora (UÉ), "pelo papel decisivo que tem desempenhado na revitalização da narrativa portuguesa contemporânea", anunciou hoje a academia alentejana.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a UÉ indicou que o júri da edição 2025 do prémio, reunido hoje em Évora, decidiu, por maioria, atribuir o Prémio Vergílio Ferreira a Djaimilia Pereira de Almeida, escritora portuguesa nascida em Angola.
O júri justificou que o galardão é concedido à autora de "Esse Cabelo" "pelo papel decisivo que tem desempenhado na revitalização da narrativa portuguesa contemporânea, construindo enredos e compondo personagens que problematizam questões de identidade, deslocamento e colonialismo, distanciando-se de e dialogando, num registo singular, com a tradição literária portuguesa".

Eça de Queiroz foi um reformista com capacidade única de olhar o país –
Lisboa, 08 jan 2025 (Lusa) – O presidente das Assembleia da República considerou hoje que Eça de Queiroz foi sobretudo um reformista com uma capacidade única de olhar o país, através de uma "escrita elegante e culta e de uma deliciosa ironia".
José Pedro Aguiar-Branco falava na cerimónia de concessão de honras de Panteão Nacional a Eça de Queiroz, com a presença do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, Luís Montenegro, entre outros titulares de órgãos de soberania.
Eça de Queiroz "foi um escritor, um grande escritor, mas foi muito mais do que um escritor. Foi, numa palavra, um reformista. E, naqueles tempos, reformista era insulto. Hoje, para uns tantos, não será muito diferente", declarou o presidente do parlamento.
No seu discurso, José Pedro Aguiar-Branco começou por salientar a atualidade de Eça de Queiroz, assinalando que fala "de elites fascinadas com o estrangeiro e tantas vezes desligadas das vivências nacionais, de burgueses citadinos deslumbrados com o materialismo, de gente simples em serras abandonadas pelos círculos do poder, de jovens decididos a revolucionar o mundo que caem na resignação e no cinismo".
"Fala-nos de burocracias que desesperam até os mais pacientes, e de políticos – imaginem - que lidam mal com as farpas da imprensa. Fala-nos de tudo isto e nós revemos tantas vezes na sua prosa os traços do nosso país, diferente em muitas coisas e parecido em tantas outras. Atrás de uma escrita elegante e culta e de uma deliciosa ironia, está uma capacidade única de olhar o país. Única e desapaixonada", sustentou o antigo ministro social-democrata.
José Pedro Aguiar-Branco lembrou a seguir o trabalho de Eça como advogado e como jornalista, "na ousadia do correspondente estrangeiro e no génio do tradutor, na argúcia política com que analisou o país e no brilho do seu percurso diplomático. Neste campo, realçou então a sua luta em Havana "contra a escravatura e na defesa intransigente do humanismo".
Ainda segundo o presidente da Assembleia da República, "quem conhecia Portugal como Eça conhecia, quem conhecia os portugueses como Eça conhecia, quem escreveu o que Eça escreveu, só podia gostar muito deste país".
"E o mais extraordinário é que esse amor sempre foi correspondido. O enterro com honras de Estado, em 1900, foi só o reconhecimento do óbvio. As honras de Panteão, que o parlamento concedeu, 121 anos depois, foram só uma formalidade. Sem debate ou discussão entre os parlamentares. O lugar de Eça de Queiroz é óbvio", frisou.
O presidente da Assembleia da República deixou ainda uma mensagem "às gentes de Santa Cruz do Douro que abdicam do seu Eça para partilhá-lo com milhões de portugueses".
"Posso garantir que a sua presença no Panteão Nacional, entre os restantes imortais, será devidamente apreciada", assegurou.
Na parte final do seu discurso, José Pedro Aguiar-Branco dirigiu palavras à família de Eça, "pela iniciativa, um sentido agradecimento no plural", mas também aos professores e alunos das escolas portuguesas com o nome de Eça de Queiroz.
"Ao estarem aqui, mostram-nos que o nome Eça de Queiroz também quer dizer educação, também quer dizer futuro. Agora, no Panteão Nacional, estou certo de que o humanismo e a consciência social de Eça de Queiroz continuarão a inspirar-nos e a exigir-nos que estejamos à sua altura", afirmou, antes de deixar mais um recado:
"Mas será, sobretudo, a sua ironia e o seu prazer em derrubar ídolos que nos protegerá de triunfalismos e megalomanias. Se assim for, também por isso valeu a pena".
Em janeiro de 2021, a Assembleia da República aprovou por unanimidade um projeto de resolução do PS para "conceder honras de Panteão Nacional aos restos mortais de José Maria Eça de Queiroz, em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa". A resolução surgiu em resposta a um repto lançado pela Fundação Eça de Queiroz.
Eça de Queiroz morreu em Paris em 16 de agosto de 1900 e foi sepultado em Lisboa. Em setembro de 1989, os seus restos mortais foram transportados do Cemitério do Alto de São João, na capital, para um jazigo de família, no cemitério de Santa Cruz do Douro, em Baião.
Nascido na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, em 1845, foi autor de contos e romances, entre os quais "Os Maias", que gerações de críticos e investigadores na área da literatura consideram o melhor romance realista português do século XIX.
A sua vasta obra inclui títulos como "O primo Basílio", "A cidade e as serras", "O crime do padre Amaro", "A relíquia", "A ilustre casa de Ramires" e "A tragédia da Rua das Flores".

Gisela João, Manel Cruz, Bateu Matou e Artistas Unidos na agenda cultural da Guarda
Guarda, 06 jan 2025 (Lusa) – Gisela João, Manel Cruz, Virgem Suta, Bateu Matou, Artistas Unidos e a peça "Amigos da Treta" são os destaques da agenda cultural da Guarda no primeiro trimestre do ano.
A programação dos três espaços culturais da cidade mais alta foi hoje apresentada numa conferência de imprensa onde o presidente da Câmara, Sérgio Costa, afirmou que "a agenda cultural da Guarda é a melhor da região Centro".
"Até março estão agendadas 106 iniciativas, 42 das quais no Teatro Municipal da Guarda [TMG], 30 no Museu da Guarda e 31 na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço [BMEL], mais sete que vão decorrer pela cidade e concelho", destacou o presidente do município aos jornalistas.
Há espetáculos de dança e teatro, concertos, exposições, sessões de cinema, oficinas, conferências, visitas guiadas e apresentações de livros.
Para Sérgio Costa, a programação do primeiro trimestre do ano "reafirma a Guarda como centro pulsante de cultura, criatividade e diversidade, é a melhor agenda cultural da região Centro porque é rica e muito diversificada".
A nova temporada começa hoje no TMG com o espetáculo "Vamos Cantar as Janeiras" e prossegue no sábado com o concerto de Ano Novo, pela Orquestra Filarmónica Portuguesa, e a ópera "O Morcego", de Strauss.
No dia 18 sobe ao palco do grande auditório Manel Cruz, vocalista dos Ornatos Violeta, e no dia 24 o teatro está de regresso com "1984", dos Artistas Unidos, a partir da versão de Robert Icke e Duncan Macmillan da obra icónica de George Orwell.
Para fevereiro estão programados um concerto de Gisela João (dia 15), o espetáculo de ballet "Cármen", pelo Ballet Flamenco de Barcelona (Espanha), e a comédia "Amigos da Treta", com José Pedro Gomes e Aldo Lima (dia 26).
O TMG vai ainda receber, em março, o espetáculo de dança "Se Desta Janela, Debruçando-me", do coreógrafo Paulo Brandão (dia 8), e os concertos dos grupos Virgem Suta (dia 14) e Bateu Matou (dia 29).
A BMEL vai prosseguir com o projeto "Guarda Memórias", recolhendo memórias nos centros de dia e lares do concelho da Guarda para serem guardadas no fundo local da biblioteca.
Será também apresentado o livro "O Menino no Mundo Só Seu", de Susana Campos (27 de fevereiro), e representada a peça "Sermão de Santo António aos Peixes" (22 de janeiro), duas iniciativas destinadas aos alunos do ensino básico e secundário, respetivamente.
Por último, o músico Tiago Sami Pereira vai protagonizar a exposição e performance musical "Retalhos", no dia 21 de fevereiro, enquanto o Dia Mundial da Poesia, a 21 de março, será celebrado com uma oficina e um espaço temático.
No Museu da Guarda destaque para a inauguração do Museu-Escola em Aldeia Viçosa (25 de janeiro), que vai integrar a Rede Cultural e Criativa da Guarda, a apresentação, por Válter Hugo Mãe, do catálogo da exposição de Albuquerque Mendes "O Frio da Casa Permanece no Meu Corpo" (30 de janeiro).
Já no dia 21 de março haverá um recital de Primavera por alunos do Conservatório de Música de São José da Guarda, entre outras atividades.
O presidente da Câmara aproveitou a conferência de imprensa para revelar que, em 2024, passaram pelo TMG 36 mil pessoas. "São mais 11 mil que no ano passado [2023], é um número que nos deve orgulhar a todos", considerou.
"Qual foi a sala de espetáculos da região Centro que teve tantas pessoas em 2024?", interrogou Sérgio Costa, para quem "a Guarda está no caminho certo em termos culturais" - e é por isso que não se cansa de "apelar à participação das pessoas nas atividades".

Minirretrospetiva de artista surrealista português João Artur da Silva em Londres
Londres, 06 jan 2025 (Lusa) - Uma minirretrospetiva de João Artur da Silva vai ser apresentada em Londres quase 50 anos depois de o artista surrealista português ter deixado a capital britânica.
A Perve Galeria vai apresentar na Feira de Arte de Londres uma série de pinturas e esculturas datadas de diferentes períodos da carreira, algumas das quais criadas quando João Artur da Silva viveu na cidade, entre 1958 e 1978.
Segundo a galeria, além de expor em várias galerias e instituições e frequentar o círculo artístico, naquele período produziu lenços de seda impressos à mão sob a marca "Da Silva" que foram vendidos em lojas em lojas reputadas como a Harrods e a Liberty.
Nascido em 1928 em Cascais, João Artur da Silva fez parte do grupo Os Surrealistas juntamente com Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, António Maria Lisboa e Mário Henrique Leiria, entre outros.
João Artur da Silva, considerado o único sobrevivente do movimento surrealista português do início do século XX, reside em Vancouver, no Canadá, desde 1991 onde, aos 96 anos de idade, continua a pintar diariamente.
A Perve Galeria, que representa o artista, vai também apresentar trabalhos da artista moçambicana Teresa Roza d'Oliveira (1945–2019) e de Renée Gagnon, artista canadiana radicada em Portugal desde a década de 1970, cujas obras exploram os musseques (bairros informais) de Angola.
A 37.ª edição da Feira de Arte de Londres (London Art Fair), que decorre entre 22 e 26 de janeiro, inclui 120 galerias de todo o mundo, incluindo 18 galerias internacionais, das quais a Perve é a única portuguesa.
Durante o certame dedicado à arte moderna e contemporânea vão estar em exposição obras de artistas como Alberto Giacometti, Francis Bacon, Bridget Riley e Barbara Hepworth em vários suportes, incluindo escultura, gravuras, pinturas, fotografia, têxteis e cerâmica.

Arranque do Braga25 junta Mariza, Iolanda e Dino d'Santiago com "prata da casa"
Braga, 06 jan 2025 (Lusa) - Braga assume oficialmente o título de Capital Portuguesa da Cultura 2025 no dia 25 de janeiro, com um espetáculo multidisciplinar que junta instituições e coletivos do concelho e os artistas nacionais Mariza, Iolanda e Dino d'Santiago, foi hoje anunciado.
Denominado "Abre a tua porta", o espetáculo vai cruzar a música com a palavra e a dança, contando com a participação de elementos dos diversos grupos folclóricos de Braga e de um coletivo de 'breakdance', dirigidos pelos coreógrafos Filipa Francisco e Deeogo Oliveira.
De acordo com a Câmara Municipal de Braga, a atriz Margarida Vila-Nova vai ser a 'cicerone' do "Abre a tua Porta", contando o espetáculo com curadoria de John Romão.
A participação dos bracarenses no espetáculo vai alargar-se também à percussão, com elementos dos grupos Bomboémia, Equipa Espiral e Batalá Braga e ainda o Coro Bomfim.
No final, haverá um espetáculo de 'drones', numa espécie de convite ao público para embarcar "numa viagem única" que assinala a abertura de Braga Capital Portuguesa da Cultura.
O espetáculo está marcado para a Avenida Central.
Aveiro, no ano passado, foi a primeira cidade com o título de Capital Portuguesa da Cultura, retomado por iniciativa do Ministério da Cultura, cerca de 20 anos depois de Coimbra e Faro terem sido capitais nacionais da Cultura, em 2003 e 2005, respetivamente.
As três primeiras edições da nova iniciativa cabem às finalistas vencidas da candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027 (Aveiro, Braga e Ponta Delgada), até que Évora assuma o seu título.

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Igreja Católica pede ao parlamento que discuta uma amnistia este ano
Lisboa, 06 jan 2025 (Lusa) – O cardeal Américo Aguiar, na qualidade de representante da Igreja Católica, entrega hoje ao presidente da Assembleia da República um pedido para uma amnistia para reclusos, no quadro do apelo feito pelo Papa no início do Jubileu.
"Podemos ter, como diz o Papa, um gesto de esperança e de confiança em relação àqueles nossos concidadãos que, em certo momento da sua vida, cometeram uma falha, cometeram um crime e estão a cumprir as consequências daquilo que foram os seus atos", afirmou à Lusa o também bispo de Setúbal.
O pedido de uma amnistia foi feito pelo líder da Igreja na bula de proclamação do Jubileu católico, uma celebração que ocorre, de modo ordinário, a cada 25 anos e os bispos portugueses cumprem assim o pedido formal para que os deputados discutam a proposta.
O pedido é hoje entregue ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e será também dirigido aos diferentes grupos parlamentares, explicou o cardeal.
Portugal celebra também os 50 anos do regime democrático e Américo Aguiar espera que os deputados discutam em 2025 uma petição já entregue, "apresentada por associações ligadas ao trabalho junto dos reclusos", para uma amnistia.
"Essa petição está à espera de agendamento para ser avaliada" e "nós vimos pedir que atendam a esse pedido", explicou o bispo, que remeteu para os eleitos a decisão sobre os moldes da amnistia, desde que se garanta alguma "transversalidade", como foi pedido pelo Papa Francisco, "dentro daquilo que é a sensibilidade e a legislação de cada país".
Em Portugal, "nós sabemos, por exemplo, que as pessoas são muito sensíveis a que se exclua, por exemplo, aquilo que são os crimes de sangue e aquilo que são os crimes de violência muito significativa e que estão tipificados", disse Américo Aguiar, recordando que a amnistia de crimes para jovens durante as Jornadas da Juventude em Lisboa gerou "um sentimento de revolta e de tristeza" junto de quem não cumpria os requisitos etários então definidos.
O trabalho pastoral dos movimentos católicos junto da comunidade prisional é uma prioridade da igreja, admitiu o cardeal.
"Infelizmente, só se preocupam com os presos a sua família, os seus amigos, os seus conhecidos e o mundo do voluntariado que trabalha nas cadeias", porque o resto da sociedade "não tem muita atenção nem muita sensibilidade" para os seus problemas.
"Aliás, teoricamente até temos um sentimento de em relação aos presos de que quanto pior, melhor", o que "é triste" e mostra que os portugueses não olham para os reclusos como pessoas de pleno direito.
"Como Estado de direito, temos que entender que os presos só estão limitados na sua liberdade" e "não devem estar limitados naquilo que é a sua dignidade", pelo que ainda há "muito caminho para fazer, seja nas infraestruturas dos estabelecimentos prisionais ou nas condições de habitabilidade" das prisões, acrescentou.
Por isso, o bispo de Setúbal, que hoje esteve de manhã no estabelecimento prisional do Montijo, pede ao estado "um investimento" adequado para corrigir as lacunas existentes.
"Queria dar uma palavra de agradecimento ao corpo da guarda prisional, aos trabalhadores administrativos e dirigentes do mundo das cadeias porque fazem milagres com os meios cada vez mais limitados ao seu dispor", acrescentou.
O Jubileu é uma festa da Igreja Católica, realizada a cada 25 anos, que junta várias celebrações para assinalar a fé e responder aos desafios de cada época.
Este é o primeiro jubileu ordinário do Papa Francisco, que cumpre agora a tradição de, a cada 25 anos, celebrar um "Ano Santo" dedicado a "consolidar a fé e a solidariedade", durante o qual a Igreja concede indulgências ou o perdão dos pecados.
Francisco dedicou o Jubileu de 2025 ao tema da esperança e sublinhou essa mensagem quando abriu a Porta Santa na quinta-feira na prisão de Rebibbia, em Roma, numa tentativa de dar aos reclusos a esperança de um futuro melhor.

