LDT NEWS
Este é o trigésimo oitavo dia do ano. Faltam 327 dias para o termo de 2025.
Pensamento do dia:
"Para cá da queda do corpo e da abalada da alma, fica a obra e o que de vida presente sempre dela se depreende". Sebastião da Gama (1924-52),
escritor, poeta e professor português.
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C’est le trente-huitième jour de l’année. Il reste 327 jours avant la fin de l’année 2025.
Pensée du jour : « Au-delà de la chute du corps et de l’ébranlement de l’âme, reste l’œuvre et ce qui en est toujours présent. »
Sebastião da Gama (1924-52), écrivain, poète et enseignant portugais.
LDT NEWS 07/02/2025
Obitos
Nascida em Lisboa, em 20 de maio de 1937, a escritora Maria Teresa Horta, a última das "Três Marias", morreu na terça-feira, aos 87 anos, na capital portuguesa, anunciou a sua editora Dom Quixote.

Além de manifestar "profundo pesar", o voto do PCP, partido do qual Maria Teresa Horta foi militante entre 1975 e 1989, propõe que "seja considerada a atribuição do seu nome a um local significativo de Lisboa".
O PCP enaltece a "escritora de grande vulto, inicialmente jornalista", indicando que foi também uma cidadã com intervenção "durante a ditadura e até aos dias de hoje, na defesa da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres, contra a profunda discriminação e inferioridade a que a mulher estava sujeita", sofrendo por isso a repressão do regime fascista.
"Foi a voz serena, límpida, de combate e rebeldia, de afirmação do corpo e do desejo da mulher; uma poética que estabeleceu de forma exemplar, nos tempos, na distensão sintática, na componente lírica e livre da fala, na revelação dos territórios íntimos, o combate geracional pela dignidade e pela justiça", lê-se no voto de pesar do PCP, semelhante ao que foi apresentado pelo partido na Assembleia Municipal de Lisboa.
O voto de pesar da vereação do Livre refere que a morte de Maria Teresa Horta deixa todas as mulheres "mais sós", além de que "a literatura, a cultura e a liberdade deste país estão mais sós", após ver partir alguém que "incondicionalmente defendeu a condição feminina, que insubmissamente lutou pelo direito à criação, que inabalavelmente se afirmou como uma das vozes mais livres na escrita nacional".
O Livre destaca que o trajeto da escritora é marcado por "uma obra incontornável do pensamento feminista nacional - Novas Cartas Portuguesas – nascida de um gesto literário contra a mentalidade do Estado Novo", assumido em conjunto com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, tendo o grupo ficado conhecido como as "Três Marias", pelo qual foi processada e julgada em 1972.
O Livre sugere que seja organizado "um momento de homenagem" no sentido de evocar a memória de Maria Teresa Horta, reconhecer o seu percurso e celebrar a sua obra.
A este propósito, a vereadora do PS Cátia Rosas lembrou que Maria Teresa Horta foi uma das "mulheres de Abril" a quem a câmara decidiu, por unanimidade, atribuir uma medalha municipal no âmbito dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, mas ainda "nenhuma recebeu" a distinção.
Segundo a sua editora Dom Quixote, num comunicado enviado à Lusa, a morte da escritora é "uma perda de dimensões incalculáveis para a literatura portuguesa, para a poesia, o jornalismo e o feminismo, a quem Maria Teresa Horta dedicou, orgulhosamente, grande parte da sua vida".
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Née à Lisbonne le 20 mai 1937, l’écrivaine Maria Teresa Horta, la dernière des « Três Marias », est décédée mardi, à l’âge de 87 ans, dans la capitale portugaise, a annoncé son éditeur Dom Quichotte.
En plus d’exprimer un « profond regret », le vote du PCP, le parti dont Maria Teresa Horta a été militante entre 1975 et 1989, propose que « l’attribution de son nom à un lieu significatif de Lisbonne soit envisagée ».
Le PCP fait l’éloge de « l’écrivaine de grande importance, initialement journaliste », indiquant qu’elle était également une citoyenne avec une intervention « pendant la dictature et jusqu’à nos jours, dans la défense de la liberté d’expression et des droits des femmes, contre la profonde discrimination et l’infériorité auxquelles les femmes étaient soumises », subissant ainsi la répression du régime fasciste.
« C’était la voix sereine et limpide, du combat et de la rébellion, de l’affirmation du corps et du désir de la femme ; une poétique qui a établi de manière exemplaire, au fil du temps, dans la distension syntaxique, dans la composante lyrique et libre de la parole, dans la révélation de territoires intimes, la lutte générationnelle pour la dignité et la justice", peut-on lire dans le vote de condoléances du PCP, similaire à celui présenté par le parti à l’Assemblée municipale de Lisbonne.
Le vote de condoléances de la conseillère municipale de Livre déclare que la mort de Maria Teresa Horta laisse toutes les femmes « plus seules », en plus de que « la littérature, la culture et la liberté dans ce pays sont plus seules », après avoir vu partir quelqu’un qui « a défendu inconditionnellement la condition féminine, qui s’est battu insoumismatiquement pour le droit à la création, qui s’est inébranlablement affirmé comme l’une des voix les plus libres de l’écriture nationale ».
Livre souligne que le parcours de l’écrivaine est marqué par « une œuvre incontournable de la pensée féministe nationale - les Nouvelles Lettres Portugaises - née d’un geste littéraire contre la mentalité de l’Estado Novo », assumée avec Maria Isabel Barreno et Maria Velho da Costa, et le groupe est devenu connu sous le nom de « Três Marías », pour lequel elle a été poursuivie et jugée en 1972.
Livre propose d’organiser « un moment d’hommage » afin d’évoquer la mémoire de Maria Teresa Horta, de reconnaître son parcours et de célébrer son œuvre.
À cet égard, la conseillère PS Cátia Rosas a rappelé que Maria Teresa Horta était l’une des « femmes d’avril » à qui le conseil municipal a décidé à l’unanimité de décerner une médaille municipale dans le cadre du 50e anniversaire du 25 avril 1974, mais « aucune n’a encore reçu » cette distinction.
Selon son éditeur Dom Quichotte, dans un communiqué envoyé à Lusa, la mort de l’écrivaine est « une perte de dimensions incalculables pour la littérature, la poésie, le journalisme et le féminisme portugais, auxquels Maria Teresa Horta a fièrement consacré une grande partie de sa vie ».
Óbito/Aga Khan: Balsemão lamenta perda de "um grande homem e um grande amigo"
Lisboa, 05 fev 2025 (Lusa) – O presidente do grupo Impresa e fundador do PSD, Francisco Pinto Balsemão, lamentou hoje a morte de Aga Khan, que considerou "um grande homem e um grande amigo", e destacou a vida dedicada aos outros.
"O mundo perdeu um grande homem e eu perdi um grande amigo", sublinha numa nota enviada à agência Lusa.
Francisco Pinto Balsemão elogiou a "extrema discrição" do líder dos muçulmanos xiitas ismaelitas, descrevendo-o como "um exemplo de dignidade e de vida dedicada aos outros".
Aga Khan, fundador e presidente da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN) e líder dos muçulmanos xiitas ismailitas, morreu na terça-feira em Lisboa, aos 88 anos.
Na nota, o presidente do grupo Impressa recorda quando conheceu Aga Khan há mais de 40 anos, quando ocupava o cargo de primeiro-ministro, e o príncipe queria intensificar a presença da fundação em Portugal.
"No plano pessoal, houve um rápido entendimento que se transformou numa excelente relação de amizade", sublinha, contando que Aga Khan chegou a propor-lhe que ficasse a presidir à Fundação.
"Naquela altura, hesitei, mas acabei por recusar. E expliquei-o numa frase muito curta: "Prefiro continuar a ser seu amigo por toda a vida a ser seu empregado durante uns tempos". E assim foi: a amizade continuou até hoje", recorda.
Rahim Aga Khan, filho mais velho do príncipe Aga Khan, é o novo líder da comunidade ismaelita, após a morte do pai, que o escolheu de entre os três filhos homens: Rahim, Hussain e Aly.
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Décès/Aga Khan : Balsemão pleure la perte d’un « grand homme et d’un grand ami »
Lisboa, 05 fev 2025 (Lusa) – Le président du groupe Impresa et fondateur du PSD, Francisco Pinto Balsemão, a pleuré aujourd’hui la mort de l’Aga Khan, qu’il considérait comme « un grand homme et un grand ami », et a souligné la vie dédiée aux autres.
« Le monde a perdu un grand homme et j’ai perdu un grand ami », souligne-t-il dans une note envoyée à l’agence Lusa.
Francisco Pinto Balsemão a salué « l’extrême discrétion » du chef des musulmans chiites ismaéliens, le décrivant comme « un exemple de dignité et de vie dédiée aux autres ».
L’Aga Khan, fondateur et président du Réseau Aga Khan de développement (AKDN) et leader des musulmans chiites ismaéliens, est décédé mardi à Lisbonne à l’âge de 88 ans.
Dans la note, le président du groupe Impressa se souvient de sa rencontre avec l’Aga Khan il y a plus de 40 ans, alors qu’il occupait le poste de Premier ministre, et que le prince souhaitait intensifier la présence de la fondation au Portugal.
« Sur le plan personnel, il y a eu une compréhension rapide qui s’est transformée en une excellente relation d’amitié », souligne-t-il, affirmant que l’Aga Khan lui a même proposé de rester président de la Fondation.
« À ce moment-là, j’ai hésité, mais j’ai fini par refuser. Et je l’ai expliqué en une phrase très courte : « Je préfère rester ton ami pour la vie que d’être ton employé pendant un certain temps ». Et c’est ainsi que l’amitié a continué jusqu’à ce jour », se souvient-il.
Rahim Aga Khan, fils aîné du prince Aga Khan, est le nouveau chef de la communauté ismaélienne, après la mort de son père, qui l’a choisi parmi les trois fils : Rahim, Hussain et Aly.
DIVERS
Santuário de Fátima com 6,2 milhões de peregrinos em 2024, menos 600 mil que em 2023
Fátima, Santarém, 06 fev 2025 (Lusa) – O Santuário de Fátima recebeu 6,2 milhões de peregrinos no ano passado, menos 600 mil que em 2023, quando se realizou a Jornada Mundial da Juventude e o Papa Francisco esteve no templo, foi hoje anunciado.
"Em 2024, o acolhimento de peregrinos voltou a fixar-se acima dos seis milhões. Foram 6,2 milhões os fiéis que participaram em pelo menos uma celebração. É este o critério em que assenta o registo anual de peregrinos", afirmou a diretora do gabinete de comunicação da instituição, Patrícia Duarte, no 46.º Encontro de Hoteleiros de Fátima.
Segundo Patrícia Duarte, este número "revela um decréscimo face aos 6,8 milhões registados no ano anterior", assinalando, contudo, que os dados de 2023 não podem ser analisados "sem o efeito da Jornada Mundial da Juventude [JMJ, em Lisboa] e da visita do Papa Francisco a Fátima".
"No período de 24 de julho a 10 de agosto do ano passado, esteve na Cova da Iria mais de um milhão de fiéis. Se extraíssemos das estatísticas de 2023 o impacto desses momentos significativos – JMJ e Papa -, constataríamos que, em 2024, o santuário registou, não uma redução, mas, sim, um aumento no número de peregrinos", disse.
Quanto às celebrações nos diversos espaços do templo mariano, os dados hoje divulgados apontam para um aumento: 10.813 celebrações, mais 1.256 do que em 2023. Das celebrações realizadas, 4.629 foram oficiais e 6.184 particulares.
Já relativamente aos grupos de peregrinos organizados, isto é, os que se inscreveram em serviços do santuário, "constata-se que, em 2024, deslocaram-se a Fátima 5.231", um crescimento de 9,5% face a 2023. Destes, 1.213 grupos são portugueses e 4.018 estrangeiros.
Também o número de peregrinos inscritos nos grupos organizados cresceu, totalizando 610.500 (mais 15% relativamente a 2023), destacando-se os peregrinos nacionais, que foram 435.609.
Entre os grupos de peregrinos oriundos do estrangeiro, o santuário contabilizou 88 países, sendo Europa, América e Ásia "os continentes mais representados" no ano passado.
Espanha continua a ser o país estrangeiro com maior número de peregrinações registadas (657 grupos e 40.130 peregrinos), seguindo-se Polónia, o país de onde era originário o Papa João Paulo II, que visitou três vezes o santuário (550 grupos e 24.224 peregrinos) e Estados Unidos da América (515 grupos e 19.435 peregrinos).
Logo depois surgem Itália (399 grupos), Brasil (271), Filipinas (194), Coreia do Sul (173), México (107), França (98) e Índia (81).
O santuário assinalou que, no ano passado, surgiram três novos países com peregrinações organizadas: Bahrein, Belize e Montenegro.
Entre as 1.213 peregrinações nacionais, predominam as oriundas das dioceses de Lisboa, com 319 grupos, Porto (190) e Braga (124).
Relativamente ao momento do ano que os grupos escolhem para se deslocar a Fátima, no caso dos portugueses verifica-se que "maio, outubro e setembro são, por esta ordem, os meses de maior afluência".
Setembro destaca-se pelo número de peregrinos - cerca de 221 mil - para o qual "concorre fortemente a Bênção dos Capacetes", que "tem vindo a mobilizar cada vez mais motociclistas", observou Patrícia Duarte.
"Entre os grupos estrangeiros, os meses de outubro, setembro e maio, surgem, por esta ordem, como preferenciais", adiantou.
Ainda de acordo com a diretora do gabinete de comunicação social do santuário, "o que os peregrinos mais gostam de fazer em Fátima é participar nas missas oficiais do santuário e no rosário seguido da procissão das velas".
As celebrações mais participadas são as missas oficiais (com cerca de 2,7 milhões de participantes), e o rosário e procissão das velas (na ordem dos 1,3 milhões de participantes).
Entre outros números, o Santuário de Fátima assinalou também, mas no que diz respeito às celebrações particulares, 37 matrimónios, 162 batismos e 565 bodas matrimonias (288 de prata, 240 de ouro e 37 de diamante).
Sanctuaire de Fátima avec 6,2 millions de pèlerins en 2024, soit 600 mille de moins qu’en 2023
Fátima, Santarém, 06 fev 2025 (Lusa) – Le Sanctuaire de Fátima a accueilli 6,2 millions de pèlerins l’année dernière, soit 600 000 de moins qu’en 2023, lorsque les Journées mondiales de la jeunesse ont eu lieu et que le pape François était dans le temple, a-t-il été annoncé aujourd’hui.
« En 2024, l’accueil des pèlerins a de nouveau dépassé les six millions. Il y avait 6,2 millions de fidèles qui ont participé à au moins une célébration. C’est le critère sur lequel se base l’enregistrement annuel des pèlerins », a déclaré la directrice du bureau de communication de l’institution, Patrícia Duarte, lors de la 46e Rencontre des hôteliers de Fátima.
Selon Patrícia Duarte, ce nombre « révèle une diminution par rapport aux 6,8 millions enregistrés l’année précédente », soulignant toutefois que les données de 2023 ne peuvent pas être analysées « sans l’effet des Journées mondiales de la jeunesse [JMJ, à Lisbonne] et de la visite du pape François à Fátima ».
« Au cours de la période du 24 juillet au 10 août de l’année dernière, plus d’un million de fidèles se trouvaient à Cova da Iria. Si nous devions extraire des statistiques de 2023 l’impact de ces moments significatifs – les JMJ et le Pape – nous constaterions qu’en 2024, le sanctuaire a enregistré, non pas une réduction, mais une augmentation du nombre de pèlerins », a-t-il déclaré.
En ce qui concerne les célébrations dans les différents espaces du temple marial, les données publiées aujourd’hui font état d’une augmentation : 10 813 célébrations, soit 1 256 de plus qu’en 2023. Parmi les célébrations qui ont eu lieu, 4 629 étaient officielles et 6 184 privées.
En ce qui concerne les groupes de pèlerins organisés, c’est-à-dire ceux qui se sont inscrits aux services du sanctuaire, « il est à noter qu’en 2024, 5 231 sont allés à Fatima », soit une croissance de 9,5 % par rapport à 2023. Parmi eux, 1 213 sont des Portugais et 4 018 des étrangers.
Le nombre de pèlerins inscrits dans les groupes organisés a également augmenté, pour atteindre 610 500 (15 % de plus qu’en 2023), en distinguant les pèlerins nationaux, qui étaient de 435 609.
Parmi les groupes de pèlerins venus de l’étranger, le sanctuaire comptait 88 pays, l’Europe, l’Amérique et l’Asie étant « les continents les plus représentés » l’année dernière.
L’Espagne reste le pays étranger avec le plus grand nombre de pèlerinages enregistrés (657 groupes et 40 130 pèlerins), suivie de la Pologne, pays d’origine du pape Jean-Paul II, qui a visité le sanctuaire trois fois (550 groupes et 24 224 pèlerins) et des États-Unis d’Amérique (515 groupes et 19 435 pèlerins).
Viennent ensuite l’Italie (399 groupes), le Brésil (271), les Philippines (194), la Corée du Sud (173), le Mexique (107), la France (98) et l’Inde (81).
Le sanctuaire a noté que l’année dernière, trois nouveaux pays ont émergé avec des pèlerinages organisés : Bahreïn, Belize et Monténégro.
Parmi les 1 213 pèlerinages nationaux, ceux des diocèses de Lisbonne prédominent, avec 319 groupes, Porto (190) et Braga (124).
En ce qui concerne la période de l’année que les groupes choisissent pour se rendre à Fátima, dans le cas des Portugais, il est vérifié que « mai, octobre et septembre sont, dans cet ordre, les mois de plus grande affluence ».
Le mois de septembre se distingue par le nombre de pèlerins - environ 221 mille - pour lesquels « la Bénédiction des Casques est en forte concurrence », ce qui « mobilise de plus en plus de motocyclistes », a noté Patrícia Duarte.
« Parmi les groupes étrangers, les mois d’octobre, septembre et mai, apparaissent, dans cet ordre, comme on le souhaite », a-t-il déclaré.
Toujours selon le directeur du bureau des médias du sanctuaire, « ce que les pèlerins aiment le plus faire à Fátima, c’est de participer aux messes officielles du sanctuaire et au chapelet suivi de la procession aux chandelles ».
Les célébrations les plus fréquentées sont les messes officielles (avec environ 2,7 millions de participants), et la procession du chapelet et des bougies (de l’ordre de 1,3 million de participants).
Parmi d’autres chiffres, le Sanctuaire de Fátima a également relevé, mais en ce qui concerne les célébrations privées, 37 mariages, 162 baptêmes et 565 anniversaires de mariage (288 en argent, 240 en or et 37 en diamant).

Canto das baleias tem estrutura semelhante à da linguagem humana - estudo
Lisboa, 06 fev 2025 (Lusa) – Investigadores internacionais concluíram que o canto das baleias-jubarte ou corcundas tem uma estrutura semelhante à da linguagem humana, divulgou hoje a Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel.
A linguagem é considerada, desde há muito, um traço distintivo dos humanos, com características que a distinguem da comunicação de todas as outras espécies, mas a estrutura detetada no canto das baleias mostra uma "profunda semelhança" entre as duas espécies não relacionadas, "unidas pelo facto de os seus sistemas de comunicação serem transmitidos culturalmente".
O estudo, liderado pela investigadora da Universidade Hebraica de Jerusalém Inbal Arnon, resultou de "uma colaboração única entre linguistas, cientistas do desenvolvimento, biólogos marinhos e ecologistas comportamentais" e foi publicado hoje na revista científica Science.
Segundo um comunicado divulgado pela universidade israelita, os investigadores utilizaram métodos inspirados no estudo do modo como os bebés descobrem palavras na fala para analisar oito anos de dados recolhidos na Nova Caledónia [território francês no oceano Pacífico] de cantos de baleias-jubarte, que revelaram "as mesmas estruturas encontradas em todas as línguas humanas".
Foram detetadas "partes recorrentes cuja frequência seguia de perto uma distribuição distorcida específica, não encontrada anteriormente em nenhum outro animal não humano".
"Este trabalho mostra como a aprendizagem e a transmissão cultural podem moldar a estrutura dos sistemas de comunicação: podemos encontrar estruturas semelhantes sempre que um comportamento sequencial complexo é transmitido culturalmente", refere Inbal Arnon, citada no comunicado, acrescentando que isso "levanta a curiosa possibilidade de as baleias-jubarte, tal como os bebés humanos, poderem aprender o seu canto localizando probabilidades de transição entre elementos sonoros" e usando essa informação para o segmentar.
Outra das investigadoras principais, Ellen Garland, da Universidade de St. Andrews (Escócia) ressalva que "o canto das baleias não é uma linguagem" por lhe faltar "significado semântico".
"Pode lembrar mais a música humana, que também tem esta estrutura, mas não tem o significado expressivo que se encontra na linguagem" e "continua a ser uma questão em aberto" se as unidades detetadas "são relevantes para as próprias baleias".
"(O estudo) sugere que a nossa compreensão da evolução da linguagem pode ganhar não só com a observação dos nossos parentes primatas mais próximos, mas também de casos de evolução convergente noutras partes da natureza", afirma o Professor Simon Kirby, da Universidade de Edimburgo (Escócia), também responsável pela investigação.
O cientista considera que deverá ser tido em conta não só "o modo como a língua é utilizada para expressar significado", mas também como ela é "aprendida e transmitida culturalmente ao longo de várias gerações".
A investigação contou ainda com a colaboração de cientistas de instituições da Nova Caledónia, Nova Zelândia e Austrália.
Le chant des baleines a une structure similaire à celle du langage humain - étude
Lisbonne, 06 fév 2025 (Lusa) – Des chercheurs internationaux ont conclu que le chant des baleines à bosse a une structure similaire à celle du langage humain, a annoncé aujourd’hui l’Université hébraïque de Jérusalem en Israël.
Le langage a longtemps été considéré comme un trait distinctif de l’homme, avec des caractéristiques qui le distinguent de la communication de toutes les autres espèces, mais la structure détectée dans le chant des baleines montre une « profonde ressemblance » entre les deux espèces non apparentées, « unies par le fait que leurs systèmes de communication sont transmis culturellement ».
L’étude, dirigée par le chercheur de l’Université hébraïque de Jérusalem Inbal Arnon, est le résultat d’une « collaboration unique entre linguistes, scientifiques du développement, biologistes marins et écologistes comportementaux » et a été publiée aujourd’hui dans la revue scientifique Science.
Selon un communiqué publié par l’université israélienne, les chercheurs ont utilisé des méthodes inspirées de l’étude de la découverte des mots par les bébés dans la parole pour analyser huit ans de données collectées en Nouvelle-Calédonie [un territoire français de l’océan Pacifique] à partir de chants de baleines à bosse, qui ont révélé « les mêmes structures que celles que l’on trouve dans toutes les langues humaines ».
Ils ont détecté « des parties récurrentes dont la fréquence suivait de près une distribution déformée spécifique, que l’on n’avait jamais trouvée auparavant chez aucun autre animal non humain ».
« Ce travail montre comment l’apprentissage et la transmission culturelle peuvent façonner la structure des systèmes de communication : nous pouvons trouver des structures similaires chaque fois qu’un comportement séquentiel complexe est transmis culturellement », explique Inbal Arnon, cité dans le communiqué, ajoutant que cela « soulève la curieuse possibilité que les baleines à bosse, comme les bébés humains, puissent apprendre leur chant en localisant les probabilités de transition entre les éléments sonores » et en utilisant cela des informations pour vous segmenter.
Une autre des chercheuses principales, Ellen Garland, de l’Université de St. Andrews (Écosse) souligne que « le chant des baleines n’est pas un langage » car il manque de « signification sémantique ».
« Cela peut rappeler davantage la musique humaine, qui a également cette structure, mais n’a pas le sens expressif que l’on trouve dans le langage » et « il reste une question ouverte » de savoir si les unités détectées « sont pertinentes pour les baleines elles-mêmes ».
« (L’étude) suggère que notre compréhension de l’évolution du langage pourrait bénéficier non seulement de l’observation de nos plus proches parents primates, mais aussi de cas d’évolution convergente ailleurs dans la nature », explique le professeur Simon Kirby, de l’Université d’Édimbourg (Écosse), également responsable de la recherche.
Le scientifique estime qu’il faut tenir compte non seulement de « la manière dont le langage est utilisé pour exprimer le sens », mais aussi de la manière dont il est « appris et transmis culturellement sur plusieurs générations ».
La recherche a également bénéficié de la collaboration de scientifiques d’institutions de Nouvelle-Calédonie, de Nouvelle-Zélande et d’Australie.

Diário póstumo de Joan Didion vai ser publicado em Portugal no segundo trimestre
Lisboa, 06 fev 2025 (Lusa) - Um diário de Joan Didion descoberto em casa da escritora após a sua morte, em 2021, no qual descreve as sessões mantidas com o psiquiatra, vai ser publicado em Portugal no segundo trimestre deste ano pela Cultura Editora.
"Notes to John", descoberto num móvel ao lado da sua secretária, começa em dezembro de 1999, logo após Joan Didion iniciar as sessões com o psiquiatra e os relatos que faz são endereçados ao seu marido, John Gregory Dunne, que morreu em 2003.
Como Didion escreveu numa carta a um amigo, a sua família estava a passar por "anos difíceis", e foi nessa altura que começou a escrever "Notes to John", apresentando descrições das suas sessões com o psiquiatra com detalhes meticulosos, informa a editora, em comunicado.
As sessões iniciais focavam-se em temas como alcoolismo, adoção, depressão, ansiedade, culpa e as complexidades dolorosas da sua relação com a filha, Quintana, que sofria de doença mental e alcoolismo, tendo morrido em 2005, com 39 anos.
Com o tempo, os temas abordados passaram a incluir o seu trabalho, que a escritora norte-americana considerava difícil de manter por períodos prolongados.
Este livro póstumo, que vai ser publicado em língua inglesa em abril, aborda também discussões sobre a sua infância — os mal-entendidos e a falta de comunicação com os seus pais, a sua tendência precoce para antecipar catástrofes — e a questão do legado, ou, como ela mesma classificou, "o que valeu a pena.
De acordo com a editora, que faz parte do grupo Infinito Particular, estas conversas foram centrais para a compreensão de Joan Didion sobre os temas que explorou nas obras tardias "O Ano do Pensamento Mágico" e "Noites Azuis".
Para a Cultura Editora é um "prazer trazer aos leitores portugueses 'Notes to John', uma descoberta literária extraordinária que revela Joan Didion na sua forma mais íntima e vulnerável. Publicar esta obra em Portugal é uma honra, reafirmando o legado de uma das escritoras mais brilhantes do nosso tempo".
Joan Didion nasceu em Sacramento, Califórnia, em 1934, e trabalhou como jornalista antes de publicar o seu primeiro romance, "Run River", em 1963.
A escritora, cujos trabalhos como jornalista, ensaísta e romancista lhe trouxeram amplo reconhecimento quer nos Estados Unidos, quer noutros países onde foi traduzida, é autora de nove romances e oito livros de não-ficção.
O seu livro de memórias "O Ano do Pensamento Mágico", publicado em Portugal em 2006, ganhou o National Book Award para não-ficção, em 2005, ano em que foi lançado nos Estados Unidos.
Nesta obra, Joan Didion inicia a sua viagem pela memória do ano mais transformador da sua vida, começando na noite em que o marido, com quem foi casada mais de 30 anos, morre de ataque cardíaco, e a sua única filha está em coma no hospital.
Referindo-se ao seu trabalho, Joan Didion disse certa vez que escrevia inteiramente para descobrir o que estava a pensar, a olhar, a ver e o que isso significava.
Le journal posthume de Joan Didion sera publié au Portugal au deuxième trimestre
Lisboa, 06 fev 2025 (Lusa) - Un journal intime de Joan Didion découvert au domicile de l’écrivain après sa mort en 2021, dans lequel elle décrit les séances tenues avec le psychiatre, sera publié au Portugal au deuxième trimestre de cette année par Cultura Editora.
« Notes to John », découverte sur un meuble à côté de son bureau, commence en décembre 1999, peu de temps après que Joan Didion commence ses séances avec le psychiatre et que les rapports qu’elle fait sont adressés à son mari, John Gregory Dunne, décédé en 2003.
Comme Didion l’a écrit dans une lettre à un ami, sa famille traversait des « années difficiles », et c’est à ce moment-là qu’elle a commencé à écrire des « Notes à John », présentant des descriptions de ses séances avec le psychiatre dans les moindres détails, informe l’éditeur dans un communiqué.
Les premières séances ont porté sur des sujets tels que l’alcoolisme, l’adoption, la dépression, l’anxiété, la culpabilité et les complexités douloureuses de sa relation avec sa fille, Quintana, qui souffrait de maladie mentale et d’alcoolisme, décédée en 2005 à l’âge de 39 ans.
Au fil du temps, les sujets abordés ont commencé à inclure son œuvre, que l’écrivaine américaine considérait comme difficile à maintenir pendant de longues périodes.
Ce livre posthume, qui sera publié en anglais en avril, aborde également des discussions sur son enfance – les malentendus et le manque de communication avec ses parents, sa tendance précoce à anticiper les catastrophes – et la question de l’héritage, ou, comme elle l’a elle-même classé, « ce qui en valait la peine.
Selon l’éditeur, qui fait partie du groupe Infinito Particular, ces conversations ont été essentielles à la compréhension de Joan Didion des thèmes qu’elle a explorés dans les œuvres tardives « L’année de la pensée magique » et « Blue Nights ».
Pour Cultura Editora, c’est un « plaisir de présenter aux lecteurs portugais 'Notes à Jean', une découverte littéraire extraordinaire qui révèle Joan Didion dans sa forme la plus intime et la plus vulnérable. Publier cet ouvrage au Portugal est un honneur, qui réaffirme l’héritage de l’un des écrivains les plus brillants de notre époque.
Joan Didion est née à Sacramento, en Californie, en 1934, et a travaillé comme journaliste avant de publier son premier roman, « Run River », en 1963.
L’écrivaine, dont le travail en tant que journaliste, essayiste et romancière lui a valu une large reconnaissance tant aux États-Unis que dans d’autres pays où elle a été traduite, est l’auteur de neuf romans et de huit livres de non-fiction.
Ses mémoires « L’année de la pensée magique », publiées au Portugal en 2006, ont remporté le National Book Award de non-fiction en 2005, l’année de sa sortie aux États-Unis.
Dans cette œuvre, Joan Didion commence son voyage dans le passé de l’année la plus transformatrice de sa vie, à partir de la nuit où son mari, avec qui elle est mariée depuis plus de 30 ans, meurt d’une crise cardiaque, et sa fille unique est dans le coma à l’hôpital.
Se référant à son travail, Joan Didion a dit un jour qu’elle écrivait entièrement pour découvrir ce qu’elle pensait, regardait, voyait et ce que cela signifiait.

Festivals
Jazz e música clássica no Festival das Artes QuebraJazz em Coimbra
Coimbra, 06 fev 2025 (Lusa) – O Festival das Artes QuebraJazz, em Coimbra, regressa em julho com vários concertos de jazz e música clássica, numa edição que conta com a participação de nomes como Selma Uamusse, Ricardo Ribeiro, Jordi Savall ou Tomomi Nishimoto.
O evento, que junta, desde 2021, o Festival das Artes e o QuebraJazz, que funcionavam separadamente, vai realizar-se de 15 a 24 de julho, no anfiteatro ao ar livre Colina de Camões, nos jardins da Quinta das Lágrimas, estendendo-se até ao final de agosto com concertos gratuitos de jazz nas escadas Quebra Costas, na Alta da cidade, afirmou hoje a organização, em nota de imprensa enviada à agência Lusa.
A edição deste ano arranca com três concertos de jazz, o primeiro dos quais um encontro entre o fadista Ricardo Ribeiro e a Orquestra de Jazz de Matosinhos.
No dia seguinte, será a estreia de um projeto entre os músicos João Barradas, Aaron Parks, Peter Evans e Stéphanne Galland e, a 17 de julho, realiza-se um concerto que junta a cantora Selma Uamusse e a Orquestra Hot Club de Portugal em torno da obra do compositor norte-americano Duke Ellington, sob a direção de Pedro Moreira.
A 18 de julho, inicia-se a programação de música clássica na Colina de Camões, com "Tchaikovsky na senda de Mozart", um concerto da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras com Andrew Swinnerton (oboé) como solista, num espetáculo dirigido pela maestrina japonesa Tomomi Nishimoto, que já dirigiu no passado várias orquestras europeias.
Pelo festival, passa também um concerto dos músicos japoneses Jun Kanno e Tokiwazu Mozibei V, que põem em diálogo o piano com o shamisen, um instrumento musical nipónico, e outro dedicado aos 100 anos do nascimento de Carlos Paredes, onde além da guitarra portuguesa também estará presente a voz da cantora Maria João.
A fechar a programação na Quinta das Lágrimas, a 24 de julho, Jordi Svall, maestro e compositor catalão que toca viola da gamba irá dirigir um espetáculo em que a música do renascimento europeu é levada "ao encontro do mundo".
Na programação, estão também incluídos dois concertos gratuitos, um da Orquestra Camerata da Academia de Música de Lisboa e outro pela Orquestra do Conservatório de Coimbra.
Além da programação musical, o Festival das Artes QuebraJazz vai contar ainda com momentos de cinema, gastronomia e conferências, assim como um espetáculo de magia de Luís de Matos.
A programação no Quebra Costas será anunciada futuramente.
Os bilhetes para o festival estarão à venda a partir de sexta-feira.
JGA // JEF
Lusa/Fim
Jazz et musique classique au QuebraJazz Arts Festival de Coimbra
Coimbra, 06 fev 2025 (Lusa) – Le QuebraJazz Arts Festival, à Coimbra, revient en juillet avec plusieurs concerts de jazz et de musique classique, dans une édition qui voit la participation de noms tels que Selma Uamusse, Ricardo Ribeiro, Jordi Savall ou Tomomi Nishimoto.
L’événement, qui réunit, depuis 2021, le Festival das Artes et QuebraJazz, qui fonctionnaient séparément, aura lieu du 15 au 24 juillet, à l’amphithéâtre en plein air Colina de Camões, dans les jardins de la Quinta das Lágrimas, et se prolongera jusqu’à la fin du mois d’août avec des concerts de jazz gratuits sur les escaliers de Quebra Costas, dans la partie supérieure de la ville. a indiqué l’organisation aujourd’hui, dans un communiqué de presse envoyé à l’agence Lusa.
L’édition de cette année démarre avec trois concerts de jazz, dont le premier est une rencontre entre le chanteur de fado Ricardo Ribeiro et l’Orchestre de Jazz Matosinhos.
Le lendemain, il y aura la première d’un projet entre les musiciens João Barradas, Aaron Parks, Peter Evans et Stéphanne Galland et, le 17 juillet, il y aura un concert qui réunira la chanteuse Selma Uamusse et l’Orchestre Hot Club de Portugal autour de l’œuvre du compositeur américain Duke Ellington, sous la direction de Pedro Moreira.
Le 18 juillet, le programme de musique classique commence à Colina de Camões, avec « Tchaïkovski sur le chemin de Mozart », un concert de l’Orchestre de chambre de Cascais et Oeiras avec Andrew Swinnerton (hautbois) comme soliste, dans un spectacle dirigé par le chef d’orchestre japonais Tomomi Nishimoto, qui a dirigé plusieurs orchestres européens dans le passé.
Le festival comprend également un concert des musiciens japonais Jun Kanno et Tokiwazu Mozibei V, qui ont mis le piano en dialogue avec le shamisen, un instrument de musique japonais, et un autre dédié au 100e anniversaire de la naissance de Carlos Paredes, où, en plus de la guitare portugaise, la voix de la chanteuse Maria João sera également présente.
Pour clôturer le programme à la Quinta das Lágrimas, le 24 juillet, Jordi Svall, chef d’orchestre et compositeur catalan qui joue de la viole de gambe, dirigera un spectacle dans lequel la musique de la renaissance européenne est emmenée « à la rencontre du monde ».
Le programme comprend également deux concerts gratuits, l’un par l’orchestre Camerata de l’Académie de musique de Lisbonne et l’autre par l’orchestre du Conservatoire de Coimbra.
En plus du programme musical, le QuebraJazz Arts Festival proposera également des moments de cinéma, de gastronomie et de conférences, ainsi qu’un spectacle de magie de Luís de Matos.
L’horaire de Quebra Costas sera annoncé à l’avenir.
Les billets pour le festival seront mis en vente à partir de vendredi.
Assemblée générale annuelle // JEF
Lusa/Fin
Lisboa, 04 fev 2025
O músico português Renato Júnior morreu hoje aos 59 anos, em Lisboa, em consequência de doença súbita, disse à agência Lusa fonte ligada ao artista.
Músico e produtor musical, Renato Júnior tinha apresentado no final de janeiro, em Lisboa, o concerto "Licence to Sing", dedicado a temas da série de filmes James Bond, com a participação de Mimicat e Rita Redshoes, entre outros.
Renato Júnior compôs para televisão, cinema, teatro, produziu álbuns para nomes como UHF e Ney Matogrosso, e esteve na produção de vários espetáculos e projetos de homenagem a figuras como Natália Correia, José Carlos Ary dos Santos e Simone de Oliveira.
De acordo com a biografia na página oficial, Renato Júnior nasceu a 04 de janeiro de 1966 em Lisboa e era músico profissional desde os 16 anos, tendo estudado no Conservatório Nacional e na Academia de Amadores de Música.
Foi clarinetista e baterista na orquestra juvenil da Sociedade Filarmónica União e Capricho Olivalense e a estreia profissional deu-se em 1985 como músico nas peças "UBU 2002 Odisseia no Terreiro do Paço" e "O Jardim das Cerejas" no Teatro Aberto, em Lisboa.
Na página oficial lê-se ainda que Renato Júnior fundou as bandas Odisseia Latina, Kan Kan Klan – que participou no primeiro Concurso de Música Moderna do Rock Rendez Vous - , Ópera Nova e Barbarella, e chegou a fazer parte dos UHF.
Trabalhou como produtor musical para o encenador Filipe La Féria, produziu para o programa televisivo de talentos Operação Triunfo, da RTP, escreveu música para telenovelas, programas infantis, séries juvenis e também para publicidade.
Em 2019 lançou o álbum "Uma mulher não chora", com a participação de nomes como Ana Bacalhau, Rita Redshoes e Kátia Guerreiro, e que transpôs depois para palco, inserido nas comemorações do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher.
Mais recentemente editou o álbum "Natália é quando uma mulher quiser", com música que compôs para textos da escritora Natália Correia, sobre quem já tinha feito o espetáculo "Natália 100 anos".
Em 2024 estreou o espetáculo "A mulher é uma arma", para celebrar as conquistas da mulher com a Revolução dos Cravos e para assinalar os 50 anos do 25 de Abril, envolvendo cantoras com quem habitualmente trabalhava: Ana Bacalhau, Katia Guerreiro, Luanda Cozetti, Patrícia Antunes, Patrícia Silveira, Rita RedShoes, Sofia Escobar e Viviane.
Durante a pandemia, Renato Júnior chegou a criar uma plataforma onde artistas, técnicos, autores pudessem colocar à venda objetos com algum simbolismo e cujas receitas de venda revertessem para os próprios ou para benefício de entidades como a União Audiovisual e a Casa do Artista.
Renato Júnior tinha ainda formação em Marketing, Publicidade, Relações Públicas e Jornalismo e foi jornalista durante uma década no grupo Rádio Renascença.
SS/JRS // MAG
Lusa/fim
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Le musicien portugais Renato Júnior est décédé aujourd’hui à l’âge de 59 ans, à Lisbonne, des suites d’une maladie soudaine, a indiqué une source liée à l’artiste à l’agence Lusa.
Musicien et producteur de musique, Renato Júnior avait présenté fin janvier, à Lisbonne, le concert « Licence to Sing », consacré à des thèmes de la série de films de James Bond, avec la participation de Mimicat et Rita Redshoes, entre autres.
Renato Júnior a composé pour la télévision, le cinéma, le théâtre, a produit des albums pour des noms tels que UHF et Ney Matogrosso, et a participé à la production de plusieurs spectacles et projets d’hommage à des personnalités telles que Natália Correia, José Carlos Ary dos Santos et Simone de Oliveira.
Selon la biographie sur le site officiel, Renato Júnior est né le 4 janvier 1966 à Lisbonne et était musicien professionnel depuis l’âge de 16 ans, après avoir étudié au Conservatoire national et à l’Académie des amateurs de musique.
Il a été clarinettiste et batteur dans l’orchestre des jeunes de la Sociedade Filarmónica União e Capricho Olivalense et ses débuts professionnels ont eu lieu en 1985 en tant que musicien dans les pièces « UBU 2002 Odisseia no Terreiro do Paço » et « O Jardim das Cerejas » au Teatro Aberto, à Lisbonne.
La page officielle indique également que Renato Júnior a fondé les groupes Odisseia Latina, Kan Kan Klan - qui a participé au premier concours de musique rock moderne Rendez Vous -, Ópera Nova et Barbarella, et a fait partie de UHF.
Il a travaillé comme producteur de musique pour le réalisateur Filipe La Féria, a produit pour l’émission de télévision Operação Triunfo, sur RTP, a écrit de la musique pour des feuilletons, des programmes pour enfants, des séries jeunesse et aussi pour la publicité.
En 2019, elle a sorti l’album « Uma mulher não chora », avec la participation de noms tels que Ana Bacalhau, Rita Redshoes et Kátia Guerreiro, et qu’elle a ensuite transposé sur scène, dans le cadre des célébrations de la Journée internationale pour l’élimination de la violence à l’égard des femmes.
Plus récemment, elle a édité l’album « Natália é quando uma mulher queira », avec de la musique qu’elle a composée pour des textes de l’écrivaine Natália Correia, sur laquelle elle avait déjà fait l’émission « Natália 100 anos ».
En 2024, le spectacle « A mulher é uma arma » a été présenté pour la première fois, afin de célébrer les réalisations des femmes avec la révolution des œillets et de marquer le 50e anniversaire du 25 avril, avec les chanteuses avec lesquelles elle travaillait habituellement : Ana Bacalhau, Katia Guerreiro, Luanda Cozetti, Patrícia Antunes, Patrícia Silveira, Rita RedShoes, Sofia Escobar et Viviane.
Pendant la pandémie, Renato Júnior a même créé une plateforme où les artistes, les techniciens, les auteurs pouvaient mettre en vente des objets avec un certain symbolisme et dont le produit des ventes revenait à eux-mêmes ou au profit d’entités telles que União Audiovisual et Casa do Artista.
Renato Júnior était également diplômé en marketing, publicité, relations publiques et journalisme et a été journaliste pendant une décennie dans le groupe Rádio Renascença.
SS/JRS // MAG
Lusa/fin
LITIO/AMBIENTE
Lítio: Cerca de 115 organizações assinam manifesto pelos sete anos de luta no Barroso
Boticas, Vila Real, 03 fev 2025 (Lusa) – Cerca de 115 organizações e coletivos ibéricos assinaram um manifesto em solidariedade com os sete anos de luta no Barroso contra a mina de lítio que está prevista para o concelho de Boticas, foi hoje divulgado.
Em comunicado enviado à agência Lusa, os promotores da iniciativa revelam que o manifesto sublinha "a resistência das populações locais contra a falsa transição verde e o extrativismo liberal", numa crítica à mina de lítio que a empresa Savannah Resources quer explorar em Boticas, distrito de Vila Real, e que pode impactar aldeias como Covas do Barroso e Romaínho.
O manifesto classifica o momento atual como "dramático", pois "o Estado português impôs uma decisão burocrática - servidão administrativa - que autoriza a empresa a entrar nos terrenos coletivos (baldios) e também nos terrenos privados".
"Uma decisão antidemocrática que coloca as populações em legítima defesa", é ainda referido.
A secretária de Estado da Energia, Maria João Pereira, emitiu um despacho, publicado a 06 de dezembro em Diário da República, que autoriza a constituição de servidão administrativa, pelo prazo de um ano, o que permite à empresa Savannah aceder a terrenos privados para a prospeção de lítio.
Logo a seguir, a associação local Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) disse não reconhecer legitimidade à decisão do Governo, tendo ainda promovido um protesto em janeiro contra a servidão administrativa, enquanto a empresa Savannah Resources anunciou poder "retomar o trabalho de campo e as perfurações necessárias" para o estudo definitivo (DFS) e o processo de conformidade ambiental do projeto lítio do Barroso, prevendo concluir estas etapas em 2025.
O manifesto contesta a cumplicidade entre o "Estado e as corporações multinacionais, prontos para sacrificar mais um território".
Em destaque no conteúdo desta iniciativa da sociedade civil estão os impactos ecológicos, designadamente "os elevados riscos ambientais locais e para toda a bacia hidrográfica do Douro".
A argumentação do manifesto apoia-se nas conclusões do estudo realizado pelo professor Steven Emerman, um especialista em mineração, hidrologia e geofísica, que aponta "amplas consequências ambientais e a absoluta falta de inaptidão do projeto da Savannah Resources no contexto ecossistémico em que se insere, deformidades que podem levar a uma 'falha catastrófica' da barragem de rejeitados", prevista no projeto mineiro.
O manifesto foi subscrito por 115 coletivos e organizações de Portugal e Espanha, foi também assinado por mais de 850 cidadãos e continua aberto para assinaturas.
Entre os subscritores coletivos estão a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, Associação Portuguesa de Antropologia (APA), - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), a associação de defesa do ambiente Campo Aberto, Ambiente em Zonas Uraníferas (AZU) e a ÍRIS - Associação Nacional de Ambiente.
Ainda a associação local UDCB, a À Mesa!, a associação cultural BELA Associação - Associação Cultural, a Sachola - Coletivo de Ecologia Popular, Ar Puro Movimento Cívico, a Casa da Horta, espanholas Ecoloxistas En Acción do Ribeiro e Ecoloxistas Galiza Atlántica e Verde ou a Gato Vadio - Livraria e Associação Cultural.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) viabilizou ambientalmente a exploração de lítio na mina do Barroso emitindo uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em maio de 2023.
A empresa já disse que prevê iniciar a produção em 2027.
Lithium : Environ 115 organisations signent un manifeste pour sept ans de lutte chez Barroso
Boticas, Vila Real, 03 fev 2025 (Lusa) – Environ 115 organisations et collectifs ibériques ont signé un manifeste de solidarité avec les sept années de lutte à Barroso contre la mine de lithium prévue dans la municipalité de Boticas, a-t-il été publié aujourd’hui.
Dans un communiqué envoyé à l’agence Lusa, les promoteurs de l’initiative révèlent que le manifeste souligne « la résistance des populations locales contre la fausse transition verte et l’extractivisme libéral », dans une critique de la mine de lithium que la société Savannah Resources veut explorer à Boticas, dans le district de Vila Real, et qui pourrait impacter des villages comme Covas do Barroso et Romaínho.
Le manifeste qualifie le moment actuel de « dramatique », car « l’État portugais a imposé une décision bureaucratique - la servitude administrative - qui autorise l’entreprise à entrer sur des terres collectives (baldios) et aussi sur des terres privées ».
« Une décision antidémocratique qui met les populations en autodéfense », est-il également mentionné.
La secrétaire d’État à l’Énergie, Maria João Pereira, a émis une ordonnance, publiée le 6 décembre au Journal officiel, qui autorise la constitution d’une servitude administrative, pour une période d’un an, qui permet à la société Savannah d’accéder à des terres privées pour la prospection de lithium.
Peu après, l’association locale Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) a déclaré qu’elle ne reconnaissait pas la légitimité de la décision du gouvernement, après avoir également promu une protestation en janvier contre la servitude administrative, tandis que la société Savannah Resources a annoncé qu’elle pouvait « reprendre les travaux de terrain et de forage nécessaires » pour l’étude définitive (DFS) et le processus de conformité environnementale du projet de lithium Barroso. et prévoit d’achever ces étapes en 2025.
Le manifeste conteste la complicité entre « l’État et les multinationales, prêtes à sacrifier un autre territoire ».
Le contenu de cette initiative de la société civile met en évidence les impacts écologiques, à savoir « les risques environnementaux locaux élevés et pour l’ensemble du bassin du Douro ».
L’argument du manifeste est basé sur les conclusions de l’étude réalisée par le professeur Steven Emerman, expert en mines, en hydrologie et en géophysique, qui souligne « de vastes conséquences environnementales et l’absence absolue d’incompétence du projet Savannah Resources dans le contexte écosystémique dans lequel il s’insère, des difformités qui pourraient conduire à une « défaillance catastrophique » du barrage de résidus miniers », prévu dans le projet Minas Gerais.
Le manifeste a été signé par 115 collectifs et organisations du Portugal et d’Espagne, a également été signé par plus de 850 citoyens et reste ouvert aux signatures.
Parmi les signataires collectifs figurent Quercus - Association nationale pour la conservation de la nature, Association portugaise d’anthropologie (APA), - Groupe d’études sur l’aménagement du territoire et l’environnement (GEOTA), l’association pour la protection de l’environnement Campo Aberto, l’environnement dans les zones uranifères (AZU) et ÍRIS - Association nationale de l’environnement.
Aussi l’association locale UDCB, À Mesa !, l’association culturelle BELA Associação - Association culturelle, Sachola - Collectif d’écologie populaire, Ar Puro Movimento Cívico, Casa da Horta, les Ecoloxistas espagnols En Acción do Ribeiro et Ecoloxistas Galicia Atlántica e Verde ou Gato Vadio - Livraria e Associação Cultural.
L’Agence portugaise de l’environnement (APA) a rendu l’exploration du lithium à la mine de Barroso réalisable sur le plan environnemental en publiant une déclaration d’impact environnemental (DIA) favorable conditionnée en mai 2023.
La société a déjà déclaré qu’elle prévoyait de commencer la production en 2027.
06/02/2025 11:31 (LUSA)
Lítio: Savannah interrompe trabalhos no terreno em Boticas após providência cautelar
Boticas, Vila Real, 06 fev 2025 (Lusa) - A Savannah Resources confirmou hoje que já foi notificada da providência cautelar contra a servidão administrativa que lhe permitia fazer prospeção mineira de lítio em Boticas, tendo interrompido os trabalhos.
"Confirmamos que fomos notificados da providência cautelar. Já a esperávamos e com normalidade a acatamos. As equipas no terreno pararam já temporariamente o trabalho que têm vindo a fazer nos últimos dois meses, estando hoje apenas a fazer manobras de segurança", pode ler-se numa resposta da empresa à agência Lusa.
Na mesma resposta, a Savannah refere que "a providência cautelar é um direito estabelecido na lei, tal como as suas consequências para todos".
"Com serenidade, trataremos este processo como os tantos outros já intentados pelo mesmo grupo opositor, e esperamos regressar ao trabalho rapidamente", conclui a resposta.
Em causa está uma providência cautelar interposta por proprietários contra o Ministério do Ambiente que suspendeu a servidão administrativa que permitia à Savannah Resources fazer prospeções mineiras em terrenos de aldeias de Boticas, foi hoje anunciado.
A providência cautelar foi entregue no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela e, em comunicado, a associação Unidos em Defesa de Covas de Barroso (UDCB) explica que o "despacho de admissão suspende todos os trabalhos na área de servidão até decisão futura do tribunal".
A UDCB disse que esta decisão é tomada ao abrigo do artigo 128.º do Código de Processo nos Tribunais Administrativos (CPTA).
A secretária de Estado da Energia, Maria João Pereira, emitiu um despacho, publicado em 06 de dezembro em Diário da República, que autoriza a constituição de servidão administrativa, pelo prazo de um ano, o que permite à empresa Savannah aceder a terrenos privados para a prospeção de lítio.
Esta decisão foi contestada por proprietários afetados e autarcas.
Contactado pela agência Lusa, o presidente da UDCB, Nelson Gomes, explicou que foram três proprietários que interpuseram a providência cautelar para travar a servidão, mas que o efeito suspensivo abrange todos os terrenos afetados pela decisão governamental.
A UDCB disse ainda que o Ministério do Ambiente foi notificado durante o dia de quarta-feira e que "está obrigado por lei a cumprir a decisão".
Por isso, a partir de hoje, segundo referiu, as comunidades de Covas do Barroso e Romainho "estarão no terreno para assegurar a suspensão imediata dos trabalhos e travar um projeto que ameaça o seu bem-estar, as serras e o futuro do Barroso".
"O tempo da servidão acabou", pode ler-se no comunicado.
À Lusa Nelson Gomes disse que a providência foi admitida pelo tribunal no dia 30 de janeiro, mas, segundo explicou, só produz efeito a partir do momento em que as partes são notificadas da decisão, o que aconteceu na quarta-feira.
Por isso, frisou, por agora "os trabalhos têm que parar".
"O nosso objetivo é precisamente travar o projeto porque, neste momento, está a haver uma destruição total quer de terrenos particulares, quer de terrenos baldios. Esta invasão que está a acontecer para nós não faz sentido nenhum, é um processo muito pouco democrático e que não entendemos", afirmou o presidente da associação.
Após o anúncio da servidão administrativa, em dezembro, a empresa Savannah Resources anunciou poder "retomar o trabalho de campo e as perfurações necessárias" para o estudo definitivo (DFS) e o processo de conformidade ambiental do projeto lítio do Barroso, prevendo concluir estas etapas em 2025.
A empresa já disse que prevê iniciar a produção em 2027.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) viabilizou ambientalmente a exploração de lítio na mina do Barroso emitindo uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em maio de 2023.
A agência Lusa contactou o Ministério do Ambiente e Energia e aguarda resposta.
06/02/2025 11:31 (LUSA)
Lithium : Savannah interrompt les travaux dans le terrain à Boticas après une injonction
Boticas, Vila Real, 06 févr. 2025 (Lusa) - Savannah Resources a confirmé aujourd’hui qu’elle a déjà été informée de l’injonction contre la servitude administrative qui lui permettait de prospecter pour l’exploitation minière du lithium à Boticas, après avoir interrompu les travaux.
Dans la même réponse, Savannah affirme que « l’injonction est un droit établi par la loi, tout comme ses conséquences pour chacun ».
« C’est avec sérénité que nous traiterons ce processus comme les nombreux autres déjà tentés par le même groupe d’opposition, et nous espérons reprendre rapidement le travail », conclut la réponse.
Il s’agit d’une injonction déposée par des propriétaires fonciers contre le ministère de l’Environnement qui a suspendu la servitude administrative qui permettait à Savannah Resources d’effectuer de la prospection minière sur des terres dans les villages de Boticas, a-t-on annoncé aujourd’hui.
L’injonction a été délivrée au Tribunal administratif et fiscal de Mirandela et, dans un communiqué, l’association Unidos em Defesa de Covas de Barroso (UDCB) explique que « l’ordonnance d’admission suspend tous les travaux dans la zone de servitude jusqu’à une future décision du tribunal ».
L’UDCB a indiqué que cette décision est prise en vertu de l’article 128 du Code de procédure devant les tribunaux administratifs (CPTA).
La secrétaire d’État à l’Énergie, Maria João Pereira, a émis une ordonnance, publiée le 6 décembre au Journal officiel, qui autorise la constitution d’une servitude administrative, pour une période d’un an, qui permet à la société Savannah d’accéder à des terres privées pour la prospection de lithium.
Cette décision a été contestée par les propriétaires et les maires concernés.
Contacté par l’agence Lusa, le président de l’UDCB, Nelson Gomes, a expliqué qu’il y avait trois propriétaires qui avaient déposé l’injonction pour faire cesser la servitude, mais que l’effet suspensif couvre tous les terrains concernés par la décision gouvernementale.
L’UDCB a également indiqué que le ministère de l’Environnement avait été informé dans la journée de mercredi et qu’il « est tenu par la loi de se conformer à la décision ».
Par conséquent, à partir d’aujourd’hui, comme il l’a dit, les communautés de Covas do Barroso et Romainho « seront sur le terrain pour assurer la suspension immédiate des travaux et arrêter un projet qui menace leur bien-être, les montagnes et l’avenir de Barroso ».
« Le temps de la servitude est terminé », a déclaré le communiqué.
Nelson Gomes a déclaré à Lusa que la mesure avait été admise par le tribunal le 30 janvier, mais, comme il l’a expliqué, elle ne prend effet qu’à partir du moment où les parties sont informées de la décision, ce qui a eu lieu mercredi.
Par conséquent, a-t-il souligné, pour l’instant « le travail doit s’arrêter ».
« Notre objectif est précisément d’arrêter le projet car, à l’heure actuelle, il y a une destruction totale des terres privées et des terres vacantes. Cette invasion qui nous arrive n’a aucun sens, c’est un processus très antidémocratique et nous ne comprenons pas", a déclaré le président de l’association.
Après l’annonce de la servitude administrative, en décembre, la société Savannah Resources a annoncé qu’elle pourrait « reprendre les travaux de terrain et les forages nécessaires » à l’étude définitive (DFS) et au processus de conformité environnementale du projet de lithium Barroso, prévoyant d’achever ces étapes en 2025.
La société a déjà déclaré qu’elle prévoyait de commencer la production en 2027.
L’Agence portugaise de l’environnement (APA) a rendu l’exploration du lithium à la mine de Barroso réalisable sur le plan environnemental en publiant une déclaration d’impact environnemental (DIA) favorable conditionnée en mai 2023.
L’agence Lusa a contacté le ministère de l’Environnement et de l’Énergie et attend une réponse.
CINEMA/TEATRO/MUSICA
Noites de lua cheia levam teatro, música e cinema a aldeia de Vila Real
Vila Real, 05 fev 2025 (Lusa) – A programação 2025 da iniciativa "Lua cheia, arte na aldeia", que decorre em Benagouro, Vila Real, inclui a estreia das peças "Maria! Não me mates que sou tua mãe", "O lobo" e "Medula", anunciou hoje a companhia Peripécia.
O ciclo de artes, lançado por esta companhia de teatro em 2014, propõe espetáculos em todas as noites de lua cheia, na aldeia de Benagouro, concelho de Vila Real.
A iniciativa promove o diálogo entre a arte e o espaço rural, oferece mensalmente espetáculos de teatro, música, dança, cinema e outras expressões artísticas e a programação preparada para 2025 inclui a estreia de peças pela Peripécia.
"A programação que fazemos tem em consideração que uma parte do público não está tão habituado à fruição artística e às suas diferentes linguagens, mas, independentemente disso, são propostas em que o interesse e a inovação artística são tidas em conta", afirma, citado em comunicado, o ator e diretor artístico da companhia, Sérgio Agostinho.
Assim, nos dias 13 e 14 de fevereiro, estreia-se a peça "Maria! Não me mates que sou tua mãe!", um conto popular de Camilo Castelo Branco que foi publicado em Portugal, na década de 1840, inspirado num crime real – um matricídio – ocorrido em Lisboa.
O espetáculo insere-se nas comemorações dos 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco e faz parte do projeto "ContoContigo", dinamizado pela Peripécia.
O encenador Nuno Pino Custódio disse que a temática desta peça "não está assim tão distante da atualidade".
"Tal como hoje as 'fake news' moldam perceções e criam realidades alternativas, também a literatura de cordel, ao narrar crimes hediondos com tons moralizantes, reforçava valores e crenças dominantes, promovendo a visão de um mundo dividido entre o bem e o mal", explica, também citado em comunicado.
O encenador acrescenta que "o impacto emocional era a sua arma, tal como o é agora o choque instantâneo das manchetes manipuladoras e dos discursos alarmistas que alimentam o medo e a polarização",
Este espetáculo, coproduzido com o Espaço Miguel Torga e o município de Sabrosa, vai percorrer vários espaços culturais da região transmontana.
A segunda estreia acontece em junho, com a Peripécia a colocar em cena "O lobo", uma peça que explora a figura do lobo, suas simbologias e problemáticas políticas e ecológicas a nível europeu.
Em novembro será a vez de estrear "Medula", outra criação original que reflete sobre a existência na era digital.
Segundo a companhia, a lua de março trará "Sítio", da Companhia da Chanca, uma narrativa sobre um casal de idosos que embarca numa aventura poética para enviar presentes ao neto no estrangeiro.
Em abril, o artista Roi Borrallas apresentará "Solo", uma performance que funde teatro e circo, maio será marcado pela exibição do filme "Montado, o bosque do lince ibérico", de Joaquín Gutiérrez Acha, e, depois, em julho, será a vez de "Sin miedo", da companhia Maintomano, uma abordagem sensível sobre o medo e as formas de superá-lo através de acrobacias e elementos cénicos.
Em agosto, a Peripécia revisitará "Ibéria – a louca história de uma península", a sua primeira produção, apresentada há 21 anos e, em setembro, contará com "Rima", uma performance de novo circo por Alan Sencades e Alvin Yong.
Em outubro, o músico Jordão subirá ao palco para um concerto intimista e o ciclo encerra, em dezembro, com "BullDog", uma produção da Janela Aberta Teatro.
"São espetáculos que vão a Benagouro, mas que se podem encontrar nos teatros do Porto, Lisboa ou Madrid. A programação é feita sempre com um grande critério de excelência, nunca baixamos a fasquia", realçou Sérgio Agostinho.
A Peripécia Teatro foi fundada em 2004 e, em 2007, estabeleceu-se em Vila Real, contando no seu repertório com peças como "Vincente, Van e Gogh", "Sou do Tamanho do que Vejo", "Novecentos. O Pianista do Oceano", "Mamã?!", "1325" e o "Ensaio dos abutres".
Les nuits de pleine lune apportent du théâtre, de la musique et du cinéma dans le village de Vila Real
Vila Real, 05 fev 2025 (Lusa) – Le programme 2025 de l’initiative « Pleine Lune, art dans le village », qui se déroule à Benagouro, Vila Real, comprend la première des pièces de théâtre « Maria ! Ne me tue pas, je suis ta mère », « Le loup » et « Medulla », ont annoncé aujourd’hui la société Peripécia.
Le cycle artistique, lancé par cette compagnie de théâtre en 2014, propose des spectacles chaque nuit de pleine lune, dans le village de Benagouro, municipalité de Vila Real.
L’initiative promeut le dialogue entre l’art et l’espace rural, propose des spectacles mensuels de théâtre, de musique, de danse, de cinéma et d’autres expressions artistiques et le programme préparé pour 2025 comprend la première de pièces de Peripécia.
« La programmation que nous faisons tient compte du fait qu’une partie du public n’est pas tellement habituée au plaisir artistique et à ses différentes langues, mais, indépendamment de cela, ce sont des propositions dans lesquelles l’intérêt et l’innovation artistique sont pris en compte », a déclaré, cité dans un communiqué, l’acteur et directeur artistique de la compagnie, Sérgio Agostinho.
Ainsi, les 13 et 14 février, la pièce de théâtre « Maria ! Ne me tue pas, je suis ta mère !", un conte populaire de Camilo Castelo Branco publié au Portugal dans les années 1840, inspiré d’un crime réel - un matricide - qui a eu lieu à Lisbonne.
Le spectacle s’inscrit dans le cadre des célébrations du 200e anniversaire de la naissance de Camilo Castelo Branco et fait partie du projet « ContoContigo », promu par Peripécia.
Le metteur en scène Nuno Pino Custódio a déclaré que le thème de cette pièce « n’est pas si éloigné du présent ».
« De même qu’aujourd’hui les 'fake news' façonnent les perceptions et créent des réalités alternatives, la littérature cordel, en racontant des crimes odieux avec des tons moralisateurs, a renforcé les valeurs et les croyances dominantes, promouvant la vision d’un monde divisé entre le bien et le mal », explique-t-il, également cité dans un communiqué.
Le réalisateur ajoute que « l’impact émotionnel a été son arme, tout comme le choc instantané des gros titres manipulateurs et des discours alarmistes qui nourrissent la peur et la polarisation ».
Ce spectacle, coproduit avec Espaço Miguel Torga et la municipalité de Sabrosa, fera le tour de plusieurs espaces culturels de la région de Trás-os-Montes.
La deuxième première aura lieu en juin, avec Peripécia mettant en scène « Le loup », une pièce qui explore la figure du loup, ses symbologies et les problèmes politiques et écologiques au niveau européen.
En novembre, ce sera au tour de présenter en avant-première « Medula », une autre création originale qui réfléchit à l’existence à l’ère numérique.
Selon l’entreprise, la lune de mars apportera « Sítio », de Companhia da Chanca, un récit sur un couple de personnes âgées qui se lancent dans une aventure poétique pour envoyer des cadeaux à leur petit-fils à l’étranger.
En avril, l’artiste Roi Borrallas présentera « Solo », un spectacle qui fusionne le théâtre et le cirque, le mois de mai sera marqué par la projection du film « Montado, la forêt du lynx ibérique », de Joaquín Gutiérrez Acha, puis, en juillet, ce sera le tour de « Sin miedo », de la compagnie Maintomano, une approche sensible de la peur et des moyens de la surmonter à travers des acrobaties et des éléments scéniques.
En août, Peripécia revisitera « Iberia – la folle histoire d’une péninsule », sa première production, présentée il y a 21 ans et, en septembre, il présentera « Rima », un nouveau spectacle de cirque d’Alan Sencades et Alvin Yong.
En octobre, le musicien Jordão montera sur scène pour un concert intime et le cycle se terminera, en décembre, avec « BullDog », une production de Janela Aberta Teatro.
"Ce sont des spectacles qui vont à Benagouro, mais que l’on peut trouver dans les théâtres de Porto, Lisbonne ou Madrid. La programmation est toujours faite avec un grand critère d’excellence, nous ne baissons jamais la barre », a souligné Sérgio Agostinho.
Peripécia Teatro a été fondé en 2004 et, en 2007, s’est établi à Vila Real, avec des pièces telles que « Vincente, Van e Gogh », « Sou do Size do que Vejo », « Novecentos ». Le pianiste de l’océan », « Maman ?! », « 1325 » et la « Répétition des vautours ».
Filme que pode dar Óscar a Colman Domingo mostra reabilitação pela arte na prisão
Los Angeles, 06 fev 2025 (Lusa) - O filme "Sing Sing", que chega hoje às salas portuguesas de cinema, retrata uma realidade pouco conhecida nas prisões norte-americanas, mostrando a reabilitação pelas artes numa história inspirada em factos verídicos.
Realizado por Greg Kwedar, o filme de baixo orçamento (cerca de dois milhões de dólares) está na corrida aos Óscares, com o protagonista Colman Domingo nomeado para Melhor Ator, e competindo na categoria de Melhor Argumento Adaptado.
Colman Domingo colaborou no desenvolvimento do guião com Greg Kwedar, Clint Bentley, John Whitfield e Clarence Maclin, que esteve encarcerado 15 anos na prisão Sing Sing por roubo e interpretou-se a si próprio no filme.
"A informação que me deram foi um artigo que detalhava o programa Reabilitação pelas Artes e a dádiva que foi para os presos que usaram a arte e o teatro", disse Colman Domingo, numa exibição especial do filme em Los Angeles. "Mudou as suas vidas e funcionou. O artigo falava de 3% de reincidência entre eles, contra 60% na média nacional".
Domingo interpreta uma versão ficcional de John "Divine G" Whitfield, um dos presos da vida real em Sing Sing que fundou o programa Reabilitação pelas Artes e ganhou múltiplos prémios de escrita atrás das grades.
"Pensei: 'Uau, isto é incrível!' Todos ouvimos histórias muito limitadas sobre pessoas presas e eu nunca tinha esbarrado numa história assim", disse Colman Domingo.
O ator tinha acabado de filmar "Rustin" e preparava-se para embarcar no 'remake' de "A Cor Púrpura" quando o guião ficou pronto – tinha sido uma jornada de oito anos e meio para Greg Kwedan, com vários anos em busca do tom certo.
Colman Domingo achou que não tinha tempo, mas Clarence Maclin convenceu-o e "Sing Sing" foi filmado em apenas 18 dias. Agora, pode valer dois Óscares.
"O programa Reabilitação pelas Artes não está desenhado para criar atores, mas para fazer melhores seres humanos", disse Maclin, que é um dos nomeados na categoria de Melhor Argumento Adaptado.
"Em todas as prisões há um segmento de pessoas que querem genuinamente mudar as suas vidas e voltar para casa e serem melhores", continuou. "Mas raramente vemos esse lado da prisão, porque eles focam-se na violência dos prisioneiros ou na corrupção dos guardas prisionais".
Maclin disse que "ninguém vê filmes de prisão na prisão", porque não reconhecem neles a sua realidade. E considerou que "Sing Sing" nem é um filme de prisão, é uma "história humana sobre crescer e ser responsável, estar em comunidade".
Além de ter realmente ex-presos numa grande porção do elenco, o filme também foi feito com um modelo diferente, de partilha de receitas. Todos os que trabalharam nele (92 pessoas) têm uma participação nos lucros.
Greg Kwedar explicou que a ideia para "Sing Sing" surgiu quando produziu um documentário em curta-metragem numa prisão no Kansas e descobriu um preso que estava a cuidar de um cão resgatado das ruas. "Isso mudou a expectativa que eu tinha da prisão, muito baseada nos filmes que cresci a ver, na produção da nossa própria indústria", admitiu.
Nessa noite, encontrou o programa Reabilitação pelas Artes nas suas pesquisas e descobriu que, em 2005, tinham encenado um musical que viajava no tempo e incluía comédia, uma justaposição inesperada no cenário da prisão. Foi essa a história que chegou ao filme, com o verdadeiro "Divine G" a participar no desenvolvimento do guião.
"Sing Sing" já ganhou algumas distinções na temporada de prémios, incluindo Melhor Ator para Colman Domingo, nos Satellite Awards e Gotham Awards, e Melhor Elenco, nos Boston Society of Film Critics Awards, além de dezenas de nomeações.
O filme compete em cinco categorias nos Critics Choice Awards, que serão entregues em Los Angeles a 07 de fevereiro. A 02 de março, será a vez dos prémios da Academia, cuja cerimónia está marcada para o Dolby Theatre em Hollywood.
"Sing Sing" fez parte da programação da mais recente edição do Lisboa Film Festival (Leffest), realizada no passado mês de novembro, na capital portuguesa.
Un film qui pourrait rapporter un Oscar à Colman Domingo montre la réhabilitation par l’art en prison
Los Angeles, 06 fev 2025 (Lusa) - Le film « Sing Sing », qui arrive aujourd’hui dans les cinémas portugais, dépeint une réalité méconnue dans les prisons nord-américaines, montrant la réhabilitation par les arts dans une histoire inspirée de faits réels.
Réalisé par Greg Kwedar, le film à petit budget (environ deux millions de dollars) est en lice pour les Oscars, avec le protagoniste Colman Domingo nominé pour le meilleur acteur et en compétition dans la catégorie du meilleur scénario adapté.
Colman Domingo a collaboré à l’élaboration du scénario avec Greg Kwedar, Clint Bentley, John Whitfield et Clarence Maclin, qui a été incarcéré pendant 15 ans à la prison de Sing Sing pour vol et qui a joué son propre rôle dans le film.
« L’information qu’ils m’ont donnée était un article qui détaillait le programme de réhabilitation par les arts et le cadeau qui a été fait aux détenus qui utilisaient l’art et le théâtre », a déclaré Colman Domingo lors d’une projection spéciale du film à Los Angeles. « Cela a changé leur vie et cela a fonctionné. L’article parlait d’un taux de récidive de 3 % parmi eux, contre 60 % en moyenne nationale.
Domingo joue une version fictive de John « Divine G » Whitfield, l’un des détenus réels de Sing Sing qui a fondé le programme de réhabilitation par les arts et a remporté de nombreux prix d’écriture derrière les barreaux.
« Je me suis dit : « Wow, c’est incroyable ! » Nous avons tous entendu des histoires très limitées sur les personnes en prison et je n’ai jamais rencontré une histoire comme celle-ci", a déclaré Colman Domingo.
L’acteur venait de terminer le tournage de « Rustin » et se préparait à se lancer dans le remake de « La couleur pourpre » lorsque le scénario était prêt - cela avait été un voyage de huit ans et demi pour Greg Kwedan, avec plusieurs années à la recherche du bon ton.
Colman Domingo pensait qu’il n’avait pas le temps, mais Clarence Maclin l’a convaincu et « Sing Sing » a été filmé en seulement 18 jours. Maintenant, il pourrait valoir deux Oscars.
« Le programme de réhabilitation par les arts n’est pas conçu pour créer des acteurs, mais pour faire de meilleurs êtres humains », a déclaré Maclin, qui est l’un des finalistes dans la catégorie du meilleur scénario adapté.
« Dans chaque prison, il y a un segment de personnes qui veulent vraiment changer de vie, rentrer chez elles et être meilleures », a-t-il poursuivi. « Mais nous voyons rarement ce côté de la prison, parce qu’ils se concentrent sur la violence des prisonniers ou la corruption des gardiens de prison. »
Maclin a dit que « personne ne voit de films de prison en prison » parce qu’ils n’y reconnaissent pas leur réalité. Et il a estimé que « Sing Sing » n’est même pas un film de prison, c’est une « histoire humaine sur le fait de grandir et d’être responsable, d’être en communauté ».
En plus d’avoir d’anciens prisonniers dans une grande partie de la distribution, le film a également été réalisé avec un modèle différent, celui du partage des revenus. Tous ceux qui y ont travaillé (92 personnes) ont une part des bénéfices.
Greg Kwedar a expliqué que l’idée de « Sing Sing » lui est venue lorsqu’il a produit un court documentaire dans une prison du Kansas et a découvert un détenu qui s’occupait d’un chien sauvé de la rue. « Cela a changé l’attente que j’avais de la prison, en grande partie basée sur les films que j’ai regardés en grandissant, sur la production de notre propre industrie », a-t-il admis.
Ce soir-là, elle a découvert le programme de réadaptation par les arts dans ses recherches et a découvert qu’en 2005, ils avaient mis en scène une comédie musicale de voyage dans le temps qui comprenait une comédie, une juxtaposition inattendue dans le cadre carcéral. C’est l’histoire qui s’est retrouvée dans le film, avec le vrai « G divin » participant à l’élaboration du scénario.
« Sing Sing » a déjà remporté quelques récompenses lors de la saison des prix, notamment le prix du meilleur acteur pour Colman Domingo aux Satellite Awards et aux Gotham Awards, et celui de la meilleure distribution aux Boston Society of Film Critics Awards, ainsi que des dizaines de nominations.
Le film est en compétition dans cinq catégories aux Critics Choice Awards, qui seront décernés à Los Angeles le 7 février. Le 2 mars, ce sera au tour de la cérémonie des Oscars, dont la cérémonie est prévue au Dolby Theatre d’Hollywood.
« Sing Sing » faisait partie du programme de la dernière édition du Festival du film de Lisbonne (Leffest), qui s’est tenue en novembre dernier dans la capitale portugaise.

Série luso-espanhola "Ponto Nemo" estreia-se em março na RTP e Prime Video
Lisboa, 05 fev 2025 (Lusa) – A série televisiva luso-espanhola "Ponto Nemo", de drama e ficção científica passada numa ilha remota do planeta, estreia-se em março na RTP e na plataforma Prime Video em território ibérico, foi hoje anunciado.
Apresentada pela RTP e pela Prime Video como "um dos projetos mais ambiciosos das coproduções portuguesas e espanholas feitas até agora", "Ponto Nemo" tem seis episódios e foi gravada na Galiza e na Madeira.
A série centra-se numa equipa de pesquisa oceanográfica que tinha uma missão no Oceano Pacífico, mas que, apanhada numa tempestade, se vê encalhada e sem comunicações numa ilha misteriosa no designado Ponto Nemo, considerado o ponto mais remoto do planeta, próximo da Antártida.
"A ilha e as situações às quais serão submetidas, tanto física como psicologicamente, vão transformar e moldar as pessoas que embarcaram no navio, alheias ao destino que as aguarda", refere a sinopse.
A série foi realizada por Denis Rovira, Daniel Benmayor e Van Boekholt e coproduzida pela espanhola Ficción Producciones e pela portuguesa Ukbar Filmes.
A interpretação ficou a cargo das atrizes portuguesas Margarida Corceiro e Sara Matos, que se juntam a nomes do cinema espanhol como Óscar Jaenada, Alba Flores, Nawja Nimri, Maxi Iglésias, Michelle Calvo e Miguel de Lira.
No verão passado, a RTP revelava que esta "mega produção de ficção científica" tinha um orçamento "de quase oito milhões de euros".
Em março, além de ficar disponível na Prime Video de Portugal e Espanha, a série "Ponto Nemo" será exibida na RTP e ficará na RTP Play.
La série luso-espagnole « Ponto Nemo » sera diffusée en mars sur RTP et Prime Video
Lisboa, 05 fev 2025 (Lusa) – La série télévisée luso-espagnole « Ponto Nemo », un drame science-fiction se déroulant sur une île isolée de la planète, sera diffusée en mars sur RTP et sur la plateforme Prime Video sur le territoire ibérique, a-t-on annoncé aujourd’hui.
Présenté par RTP et Prime Video comme « l’un des projets les plus ambitieux des coproductions portugaises et espagnoles réalisées à ce jour », « Ponto Nemo » compte six épisodes et a été enregistré en Galice et à Madère.
La série se concentre sur une équipe de recherche océanographique qui avait une mission dans l’océan Pacifique, mais qui, prise dans une tempête, se retrouve bloquée et sans communications sur une île mystérieuse dans le soi-disant Point Nemo, considéré comme le point le plus éloigné de la planète, près de l’Antarctique.
« L’île et les situations auxquelles elles seront soumises, tant physiquement que psychologiquement, transformeront et façonneront les personnes qui sont montées à bord du navire, inconscientes du sort qui les attend », dit le synopsis.
La série a été réalisée par Denis Rovira, Daniel Benmayor et Van Boekholt et coproduite par l’Espagnol de Ficción Producciones et le Portugais Ukbar Filmes.
L’interprétation a été confiée aux actrices portugaises Margarida Corceiro et Sara Matos, qui rejoignent des noms du cinéma espagnol tels que Óscar Jaenada, Alba Flores, Nawja Nimri, Maxi Iglésias, Michelle Calvo et Miguel de Lira.
L’été dernier, RTP révélait que cette « méga production de science-fiction » disposait d’un budget « de près de huit millions d’euros ».
En mars, en plus d’être disponible sur Prime Video au Portugal et en Espagne, la série « Ponto Nemo » sera diffusée sur RTP et sera sur RTP Play.
nouveauté musicale
Lisboa, 04 fev 2025 (Lusa) – O novo álbum de Gisela João, "Inquieta", a sair na sexta-feira, homenageia Abril, mas a intenção da cantora "é maior que a data em si", é pela Liberdade e sobre o impacto da Liberdade na vida quotidiana.
"Quero deixar bem claro que a minha intenção com este disco é maior que a data em si, é maior que isso tudo, é lembrar as pessoas que a nossa Liberdade", a liberdade "de cada um de nós", impõe "cuidar da Liberdade" que "é nossa e do nosso vizinho", que a Liberdade "tem um impacto de forma direta na vida e na liberdade das outras pessoas", disse a fadista em entrevista à agência Lusa.
O álbum reflete a série de espetáculos que a cantora apresentou pelo país no ano passado, na celebração dos 50 anos do 25 de Abril.
À Lusa, a fadista afirmou que sentiu "necessidade de gravar estas músicas, de cantar a Liberdade", a Liberdade com maiúscula.
Sobre o alinhamento do álbum, maioritariamente, composto por canções do repertório de José Afonso, Gisela João afirmou que "foi feito a olhar para o mundo", para o que está a acontecer à sua volta e, "sentindo quase como um espírito de missão, de cantar a Liberdade de a defender, de dar estas palavras de novo ao público", porque "são letras muito necessárias e precisamos de as ouvir".
Gisela João gravou repertório de José Afonso com novos arranjos musicais, canções como "Vejam Bem", "A Morte saiu à Rua", "Que Amor Não me Engana", mas também de Paulo de Carvalho, "E Depois do Adeus" - canção que foi uma das senhas para o ainda golpe de 25 de Abril de 1974 -, de Sérgio Godinho, "Que Força é essa Amigo", de Fernando Lopes-Graça, "Acordai!", que o compositor estreou com o Coro das Academia Amadores de Música, e de José Mário Branco, "Inquietação".
A cantora defendeu a necessidade de "uma luta constante" e de "uma defesa muito concreta da Liberdade que é um direito por nascença".
"O direito de qualquer um que nasce à Liberdade, à Liberdade de se ser o que se quer ser, e de se ser quem se deseja e quem se sonha", argumentou.
Gisela João realçou a atualidade do repertório que gravou e dos seus criadores, que marcaram a música portuguesa nas últimas décadas. "Estes autores – José Afonso, Sérgio Godinho, Fausto – podiam ter escrito estas canções hoje", afirmou.
"Se ouvirmos as notícias e sairmos à rua e olharmos com olhos de ver o que se passa à nossa volta, é muito fácil encaixar frases destes autores ou as canções inteiras e cantá-las, pois adequam-se ao tempo que nós vivemos".
Gisela João alertou para a necessidade de uma vigilância, pois "a Liberdade não é um dado adquirido"
"A Liberdade - sermos todos livres - permite que se oiçam e se vejam coisas que não deviam acontecer. E quem defende essa Liberdade? Temos de ser nós, todos os dias, a defender a nossa Liberdade e a dos outros", defendeu.
"Uma situação complexa", referiu, "mas um debate necessário e constante".
Reconhecendo a importância da intervenção cívica e política de José Afonso, autor da maioria das canções de "Inquieta", Gisela João realçou a "genealidade" da sua criatividade musical, à qual se referiu como "impressionante".
"A qualidade das melodias que ele fez, [todas] têm algo que é do mais difícil de fazer; fazer coisas que parecem tão simples e são de uma profundidade imensa. É por isso, que, garantidamente, posso dizer que não conheço ninguém a quem essas melodias não toquem, não conversem com as pessoas".
"São melodias muito simples, mas não o são na verdade, são muito densas, e tocam nas pessoas, é isso que faz as pessoas sentir alguma coisa na pele", acrescentou, realçando que "há uma assinatura muito portuguesa nestas músicas".
"Há ali [naquelas canções] – nem, sei explicar como – qualquer coisa que me faz sentir muito portuguesa, como no fado", disse Gisela João que confidenciou que quando as ouve, parece que está a fazer um mantra consigo própria: "Uma cantilena em repetição que me vai acalmando a alma".
Questionada sobre a responsabilidade que sente ao interpretar estas canções, a fadista disse que quando começa a cantar é como se não estivesse ali.
"O que está ali é o poema; e quem me dera poder levar as pessoas para o lugar para onde vou quando estou a cantar".
"A verdade é que os poemas são muito maiores que eu, e junto-os com as melodias perfeitas para eles, para as palavras soarem como precisam de soar. São muito maiores que eu. Sinto que fico em segundo plano. Apenas me sinto como veículo para dar às palavras aquilo que elas precisam, e para [as] fazer chegar às pessoas", disse à Lusa.
A intérprete destacou os arranjos musicais, "mais arejados". E entre as dez canções que constituem o alinhamento, referiu a sua dificuldade em encontrar a forma como cantar "E Depois do Adeus" (José Niza/José Calvário), para se distanciar da interpretação do seu criador, Paulo de Carvalho.
Gisela João defendeu que "cada um é único" e que quando canta, tem de "saber falar". O que canta, tornar seu. "Eu tenho de sentir aquilo", enfatizou.
Para a intérprete, "E Depois do Adeus", na interpretação do Paulo de Carvalho, "está perfeito, está redondinho, é aquilo é assim", o que a deixava "muito inquieta", pois "não queria cantar igual a ele, nem a fazer à Paulo de Carvalho".
"De repente, de tanto ler o poema e, relacionado com a fase da vida em que me encontro, precisava de cantá-la para mim, desconstruindo o poema e não falando de uma relação de amor com o outro; olhar de uma maneira diferente e falar da relação de amor que eu tenho comigo própria, onde eu estou, onde eu quero ir, quem é que eu sou, quantas de mim deixei pelo caminho, quais de mim é que eu quero resgatar", contou.
"Desculpem-me a ousadia e a imodéstia, mas esta canção, gravei-a para mim, e vou ficar muito feliz de saber se alguém, ao ouvi-la, quiser fazer um ponto de situação de si próprio".
"Os Bravos", "Balada de Outono" e "Canção de Embalar" fazem também parte do alinhamento de "Inquieta", com arranjos de Luís 'Twins' Pereira, Gisela João, Carles Rodenas Martinez, e produção executiva e gravação de Luís 'Twins' Pereira.

Lisboa, 04 fev 2025 (Lusa) – Le nouvel album de Gisela João, « Inquieta », qui sort vendredi, rend hommage à April, mais l’intention de la chanteuse « est plus grande que la date elle-même », c’est pour la liberté et sur l’impact de la liberté sur la vie quotidienne.
« Je veux qu’il soit très clair que mon intention avec cet album est plus grande que la date elle-même, c’est plus grand que tout cela, c’est de rappeler aux gens que notre Liberté », la liberté « de chacun de nous », impose de « prendre soin de la Liberté » qui « est la nôtre et celle de notre prochain », que la Liberté « a un impact direct sur la vie et la liberté des autres », a déclaré le chanteur de fado dans une interview accordée à l’agence Lusa.
L’album reflète la série de spectacles que la chanteuse a présentés à travers le pays l’année dernière, à l’occasion du 50e anniversaire du 25 avril.
À Lusa, la chanteuse de fado a déclaré qu’elle ressentait « le besoin d’enregistrer ces chansons, de chanter la Liberté », la Liberté avec une majuscule.
À propos de la programmation de l’album, composée principalement de chansons du répertoire de José Afonso, Gisela João a déclaré que « c’était fait en regardant le monde », ce qui se passe autour d’elle et, « se sentant presque comme un esprit de mission, de chanter la liberté de la défendre, de donner à nouveau ces mots au public ». Parce que « ce sont des lettres très nécessaires et nous avons besoin de les entendre ».
Gisela João a enregistré le répertoire de José Afonso avec de nouveaux arrangements musicaux, des chansons telles que « Veja Bem », « A Morte saí à Rua », « Que Amor Não me Engana », mais aussi de Paulo de Carvalho, « E Depois do Adeus » - une chanson qui fut l’un des mots de passe pour le coup d’État du 25 avril 1974 -, de Sérgio Godinho, « Que Força é essa Amigo », de Fernando Lopes-Graça, « Acordai ! », que le compositeur a créé avec le Chœur de l’Académie de Musique Amateur, et de José Mário Branco, « Inquietação ».
Le chanteur a défendu la nécessité d’une « lutte constante » et d’une « défense très concrète de la liberté, qui est un droit par la naissance ».
« Le droit de toute personne née à la liberté, à la liberté d’être ce que l’on veut être, et d’être qui l’on veut et dont on rêve », a-t-il affirmé.
Gisela João a souligné la pertinence du répertoire qu’elle a enregistré et de ses créateurs, qui ont marqué la musique portugaise au cours des dernières décennies. « Ces auteurs – José Afonso, Sérgio Godinho, Fausto – auraient pu écrire ces chansons aujourd’hui », a-t-il déclaré.
« Si nous écoutons les nouvelles et que nous sortons dans la rue et regardons avec les yeux pour voir ce qui se passe autour de nous, il est très facile d’adapter des phrases de ces auteurs ou des chansons entières et de les chanter, car elles correspondent à l’époque dans laquelle nous vivons ».
Gisela João a mis en garde contre la nécessité de la vigilance, car « la liberté n’est pas acquise »
« La liberté – être tous libres – nous permet d’entendre et de voir des choses qui ne devraient pas se produire. Et qui défend cette liberté ? Nous devons être nous-mêmes, chaque jour, pour défendre notre liberté et celle des autres », a-t-il défendu.
« Une situation complexe », a-t-il dit, « mais un débat nécessaire et constant ».
Reconnaissant l’importance de l’intervention citoyenne et politique de José Afonso, auteur de la plupart des chansons d'"Inquieta », Gisela João a souligné la « généalité » de sa créativité musicale, qu’elle a qualifiée d'"impressionnante ».
« La qualité des mélodies qu’il a faites, [toutes] ont quelque chose de très difficile à faire ; faire des choses qui semblent si simples et d’une immense profondeur. C’est pourquoi, c’est sûr, je peux dire que je ne connais personne à qui ces mélodies ne jouent pas, ne parlent pas aux gens.
« Ce sont des mélodies très simples, mais elles ne le sont pas vraiment, elles sont très denses, et elles touchent les gens, c’est ce qui fait que les gens ressentent quelque chose sur leur peau », a-t-il ajouté, soulignant qu'"il y a une signature très portugaise dans ces chansons ».
« Il y a là [dans ces chansons] - ni, je ne peux expliquer comment - quelque chose qui me fait me sentir très portugaise, comme dans le fado », a déclaré Gisela João qui a confié que lorsqu’elle les entend, il semble qu’elle se fasse un mantra avec elle-même : « Une chanson en répétition qui calme mon âme ».
Interrogée sur la responsabilité qu’elle ressent lorsqu’elle interprète ces chansons, la chanteuse de fado a déclaré que lorsqu’elle commence à chanter, c’est comme si elle n’était pas là.
« Ce qui est là, c’est le poème ; J’aimerais pouvoir emmener les gens là où je vais quand je chante.
« La vérité, c’est que les poèmes sont beaucoup plus grands que moi, et je les assemble avec les mélodies parfaites pour eux, afin que les mots sonnent comme ils doivent sonner. Ils sont beaucoup plus grands que moi. J’ai l’impression d’être en arrière-plan. Je me sens juste comme un véhicule pour donner aux mots ce dont ils ont besoin, et pour [les] faire parvenir aux gens », a-t-il déclaré à Lusa.
L’interprète a mis en avant les arrangements musicaux, « plus aériens ». Et parmi les dix chansons qui composent la programmation, il a évoqué sa difficulté à trouver le moyen de chanter « E Depois do Adeus » (José Niza/José Calvário), pour se démarquer de l’interprétation de son créateur, Paulo de Carvalho.
Gisela João a défendu que « chacun est unique » et que lorsqu’elle chante, elle doit « savoir parler ». Ce qui chante, fais-le tien. « Je dois ressentir cela », a-t-il souligné.
Pour l’interprète, « E Depois do Adeus », dans l’interprétation de Paulo de Carvalho, « c’est parfait, c’est rond, c’est comme ça », ce qui l’a rendue « très agitée », car « je ne voulais pas chanter comme lui, ou le faire comme Paulo de Carvalho ».
« Soudain, à force de lire le poème et en lien avec la phase de la vie dans laquelle je me trouve, j’ai eu besoin de le chanter pour moi-même, en déconstruisant le poème et en ne parlant pas d’une relation amoureuse avec l’autre ; Regardez-le d’une manière différente et parlez de la relation amoureuse que j’ai avec moi-même, où je suis, où je veux aller, qui je suis, combien de moi j’ai laissé en chemin, lequel de moi je veux sauver", a-t-elle déclaré.
« Excusez-moi pour l’audace et l’impudeur, mais cette chanson, je l’ai enregistrée pour moi, et je serai très heureux de savoir si quelqu’un, en l’écoutant, veut faire le point sur lui-même ».
« Os Bravos », « Balada de Outono » et « Canção de Embalar » font également partie de la programmation d'"Inquieta », avec des arrangements de Luís 'Twins' Pereira, Gisela João, Carles Rodenas Martinez, et la production exécutive et l’enregistrement de Luís 'Twins' Pereira.
ENTREVISTA: Novo álbum do projeto OMIRI inspira-se nas "riquíssimas tradições" musicais portuguesas
Lisboa, 03 fev 2025 (Lusa) – O músico Vasco Ribeiro Casais, autor do projeto OMIRI, considera que as tradições musicais populares "estão vivas" e são fonte de inspiração, como demonstra o novo álbum, "Modas novas e algumas velhas", a editar este mês.
As tradições musicais populares são a fonte de inspiração de OMIRI, que privilegia o contacto direto com os portadores dessas tradições. O trabalho será apresentado ao vivo em Portugal, Espanha e Canadá, ao longo dos próximos dois meses.
O novo disco de OMIRI, "Modas novas e algumas velhas", a sair na próxima sexta-feira, no mesmo dia em que tem a sua primeira apresentação ao vivo, na Sociedade Harmonia Eborense, em Évora, é um "remix", uma mistura de práticas musicais populares, sincronizando formas e expressões da tradição rural e linguagens da cultura urbana, através de novas tecnologias e da definição de 'samples' digitais, concebidos com sons recolhidos, reais.
"As tradições continuam vivas, estão é um bocadinho longe do grande público em geral, mas os artistas mais 'mainstream' da pop, do rock, etc., têm estado a descobrir e a valorizar as nossas tradições e a perceber que Portugal é um país riquíssimo com coisas lindíssimas e únicas, e têm estado a incorporar essas tradições nas suas novas composições", afirmou Ribeiro Casais em entrevista à agência Lusa.
Sobre o seu modo de criação musical, à base de misturas em computador, Ribeiro Casais disse que funciona muito pelo "passa palavra", isto é, as pessoas falam entre si que o músico está a fazer recolhas musicais.
"Eu vou ter com as pessoas, mostro-lhes o trabalho que estou a fazer, às vezes não percebem porque estou a gravá-las, mas recebem-me sempre de braços abertos. Passo muito tempo com elas a ouvir o que têm para me dizer e a cantar", contou o músico.
"Estou ali de corpo e alma a ouvir, a pessoa está a dedicar-me o seu tempo".
A gravação é feita em áudio e vídeo e, depois, em casa, no computador, ouve e vai percebendo os temas que lhe interessam e o que lhes pode acrescentar.
"Oiço, ponho-lhe a voz e, ao mesmo tempo que trabalho o som, trabalho o vídeo", disse o músico, enfatizando a componente visual do projeto.
"Começo a ouvir e vão surgindo as ideias. Conforme oiço penso: 'Aqui fica bem uma batida tipo uma sola', e vou buscar uma sapateira a bater uma sola. Depois tenho uns pratos e vou buscar uma senhora a tocar um sininho, depois preciso de uns bombos e vou buscar o grupo de bombos que tenho", explicou, referindo que "toda a eletrónica, exceto alguns sintetizadores e alguns baixos, é feita de sons das recolhas".
"O som do disco é diferente, tem muito espaço, ouve-se os passarinhos, os cães, alguém com um trator lá atrás, tem muito espaço, é tudo ao ar livre. É um som vivo, não o de estúdio onde tudo é muito cirúrgico. Eu acho isso engraçado, até os próprios 'loops' são tirados do vídeo, porque trabalho simultaneamente o áudio e o vídeo".
O músico acentuou a importância visual nos seus concertos, onde os vídeos são exibidos.

"Nos concertos há essa interação com o vídeo. Eu estou a tocar com o vídeo, estou a tocar com eles, e isto cria uma empatia maior com quem assiste aos concertos", disse à Lusa.
Além de Évora, o projeto OMRI vai ser apresentado, no dia 15 de fevereiro, na Sala Rebullón, em Moz, na Galiza, em Espanha; na conferência internacional Folk Aliance, em Montreal, no Canadá, no dia 20 de fevereiro; e, no dia 22, ainda neste país, no espaço Lighthouse Immersive, em Toronto.
Regressando a Portugal, já tem datas agendadas para março, no Art Haus Club, em Faro, no dia 15; no Hotel Tivoli, em Lisboa, no dia 19; e em Louriga e Seia, respetivamente, nos dias 28 e 30 de março.
O músico disse à Lusa que optou por apresentar o álbum em espaços mais pequenos, nos quais se sentisse próximo do público.
O álbum é constituído por 17 temas entre eles, "Ó ti ó tirititi", "Ai Lé" e também "Valsinha", um original de OMIRI.
"Pé com Pé", uma composição que combina a música tradicional portuguesa com as sonoridade contemporâneas, exemplifica o trabalho do projeto: é um tema recolhido com o Rancho Infantil Os Fidalgos da Trofa, conta com as vozes de Beatriz Melo, o bombo de Natércia Cunha, o triângulo de Adélia Simões, todas de Águeda, e ainda com sons de louça a ser partida por Alexandra Sousa, de uma fábrica em Alcobaça, acompanhados pela viola braguesa de OMRI.
"Casaco sem Mangas" abre o alinhamento do álbum que inclui ainda "Cala-te aí ó Cachota", "Tirana", "Se me chegas a Mostarda à Venta", "Tenho 7" e o tema de origem galega "Pasodobre de Mangüeiro (Olvídame)".
"Este disco é uma celebração das tradições portuguesas, que são muito ricas", disse o músico, realçando que não é numa perspetiva nacionalista. Para Ribeiro casais "a nossa cultura resulta, também ela, de uma grande mistura de culturas, e hoje há pessoas vindas de outras geografias a viverem as nossas tradições".
Do grupo de músicos faz parte um queniano, a bater o junco, numa referência a Alcobaça, onde se fazem os cestos e os tapetes a partir desta planta, "já aculturado à nossa tradição, sendo que ele traz uma mais-valia da sua cultura".
Num prognóstico, o músico disse: "Temos hoje uma comunidade migrante, e a nossa tradição vai misturar-se com a deles e vai incluir, e é assim que eu vejo a música, não uma coisa fechada, mas exatamente algo em movimento e a caminhar. [...] Um ser humano a partilhar, a usufruir e a partilhar com outros", acrescentou.
O termo OMIRI, para batizar o projeto, foi o músico buscá-lo ao léxico brasileiro, referindo-se a um tipo de árvore muito grande que produz uma essência balsâmica, "e o projeto, tal como a árvore, cresceu por si próprio".
OMIRI tem atuado em vários festivais nacionais e internacionais, nomeadamente Womex, Reepperbahn, Eurosonic, Rudolstadt, Kaustinen, Viljandi, Dranouter, Live at Heart, Exib Musica, Iminente, WestWay Lab, Med, Artes à Rua.
O álbum "Baile Electrónico" (2017) esteve no pódio nas tabelas World Music Charts Europe e recebeu em 2020 Prémio Inatel, nos Iberian Festival Awards.
OMIRI desenvolve também projetos especiais com comunidades locais, direcionados a regiões especificas.
Este novo álbum é o resultado de oito anos de pesquisa, durante os quais trabalhou paralelamente em espetáculos específicos para os concelhos de Évora, Pombal, Alcanena, Tomar e Setúbal, e dos quais resultaram livros/CD, com uma reinterpretação da cultura de cada região.
INTERVIEW : Le nouvel album du projet OMIRI s’inspire des « riches traditions » de la musique portugaise
Lisboa, 03 fev 2025 (Lusa) – Le musicien Vasco Ribeiro Casais, auteur du projet OMIRI, considère que les traditions musicales populaires « sont vivantes » et sont une source d’inspiration, comme en témoigne le nouvel album, « Modas novas e algumas velhas », qui sortira ce mois-ci.
Les traditions musicales populaires sont la source d’inspiration d’OMIRI, qui privilégie le contact direct avec les porteurs de ces traditions. Le travail sera présenté en direct au Portugal, en Espagne et au Canada au cours des deux prochains mois.
Le nouvel album d’OMIRI, « Modas novas e algumas velhas », qui sortira vendredi prochain, le jour même où il se produit pour la première fois en direct, à la Sociedade Harmonia Eborense, à Évora, est un « remix », un mélange de pratiques musicales populaires, synchronisant les formes et les expressions de la tradition rurale et des langages de la culture urbaine, à travers les nouvelles technologies et la définition d’échantillons numériques, Conçu avec des sons réels et collectés.
« Les traditions sont toujours vivantes, elles sont un peu éloignées du grand public, mais les artistes les plus 'mainstream' de la pop, du rock, etc., ont découvert et valorisé nos traditions et se sont rendu compte que le Portugal est un pays très riche avec des choses belles et uniques, et ils ont incorporé ces traditions dans leurs nouvelles compositions », a déclaré Ribeiro Casais dans une interview accordée à l’agence Lusa.
À propos de sa façon de créer de la musique, basée sur des mixages informatiques, Ribeiro Casais a dit que cela fonctionne beaucoup par le « bouche à oreille », c’est-à-dire que les gens se parlent que le musicien fait des collections musicales.
« Je vais voir les gens, je leur montre le travail que je fais, parfois ils ne comprennent pas pourquoi je les enregistre, mais ils m’accueillent toujours à bras ouverts. Je passe beaucoup de temps avec eux à écouter ce qu’ils ont à me dire et à chanter », a déclaré le musicien.
« Je suis là corps et âme à l’écoute, la personne me consacre son temps ».
L’enregistrement se fait en audio et en vidéo puis, chez lui, sur l’ordinateur, il écoute et comprend les sujets qui l’intéressent et ce qu’il peut y ajouter.
« Je l’écoute, je lui mets ma voix et, en même temps que je travaille sur le son, je travaille sur la vidéo », confie le musicien, mettant l’accent sur la composante visuelle du projet.
« Je commence à écouter et les idées surgissent. En écoutant, je me dis : « Voici un battement comme une semelle », et je vais chercher un porte-chaussures pour frapper une semelle. Ensuite, j’ai des cymbales et je vais demander à une dame de faire sonner une cloche, puis j’ai besoin de grosses caisses et je vais avoir le groupe de grosses caisses que j’ai », a-t-il expliqué, notant que « toute l’électronique, à l’exception de quelques synthétiseurs et de quelques basses, est faite de sons provenant des micros ».
"Le son de l’album est différent, il y a beaucoup d’espace, vous pouvez entendre les oiseaux, les chiens, quelqu’un avec un tracteur à l’arrière, il y a beaucoup d’espace, tout est à l’extérieur. C’est un son vivant, pas le son de studio où tout est très chirurgical. Je trouve ça marrant, même les boucles elles-mêmes sont tirées de la vidéo, parce que je travaille simultanément sur l’audio et la vidéo.
Le musicien a souligné l’importance visuelle dans ses concerts, où des vidéos sont projetées.
« Dans les concerts, il y a cette interaction avec la vidéo. Je joue avec la vidéo, je joue avec eux, et cela crée une plus grande empathie avec ceux qui regardent les concerts », a-t-il déclaré à Lusa.
En plus d’Évora, le projet OMRI sera présenté, le 15 février, à la salle Rebullón, à Moz, en Galice, en Espagne ; à la conférence internationale Folk Alliance, à Montréal, Canada, le 20 février ; et, le 22, toujours dans ce pays, à l’espace Lighthouse Immersive, à Toronto.
De retour au Portugal, il a déjà des dates prévues pour mars, à l’Art Haus Club, à Faro, le 15 ; à l’hôtel Tivoli, à Lisbonne, le 19 ; et à Louriga et Seia, respectivement, les 28 et 30 mars.
Le musicien a dit à Lusa qu’il avait choisi de présenter l’album dans des espaces plus petits, où il se sentait proche du public.
L’album se compose de 17 thèmes parmi eux, « Ó ti ó tirititi », « Ai Lé » et aussi « Valsinha », un original d’OMIRI.
« Pé com Pé », une composition qui combine la musique traditionnelle portugaise avec des sons contemporains, illustre le travail du projet : il s’agit d’un thème recueilli avec le Ranch d’enfants Os Fidalgos da Trofa, avec les voix de Beatriz Melo, la grosse caisse de Natércia Cunha, le triangle d’Adélia Simões, tous d’Águeda, et aussi avec les sons de la vaisselle cassée par Alexandra Sousa, d’une usine d’Alcobaça, accompagné de la viola braguesa d’OMRI.
« Casaco sem Mangas » ouvre la liste de l’album, qui comprend également « Cala-te aí ó Cachota », « Tirana », « Se me chegas a Mostarda à Venta », « I have 7 » et le thème galicien « Pasodobre de Mangüeiro (Olvídame) ».
« Cet album est une célébration des traditions portugaises, qui sont très riches », a déclaré le musicien, soulignant que ce n’est pas d’un point de vue nationaliste. Pour les couples de Ribeiro, « notre culture est aussi le résultat d’un grand mélange de cultures, et aujourd’hui, il y a des gens d’autres géographies qui vivent nos traditions ».
Le groupe de musiciens comprend un Kenyan, battant le roseau, en référence à Alcobaça, où les paniers et les tapis sont fabriqués à partir de cette plante, « déjà acculturée à notre tradition, et il apporte une valeur ajoutée de sa culture ».
Dans un pronostic, le musicien a déclaré : « Nous avons une communauté de migrants aujourd’hui, et notre tradition va se mélanger à la leur et inclure, et c’est ainsi que je vois la musique, pas comme une chose fermée, mais exactement quelque chose qui bouge et marche. [...] Un être humain à partager, à apprécier et à partager avec les autres », a-t-il ajouté.
Le terme OMIRI, pour baptiser le projet, était le musicien qui l’empruntait au lexique brésilien, se référant à un très grand type d’arbre qui produit une essence balsamique, « et le projet, comme l’arbre, a grandi de lui-même ».
OMIRI s’est produit dans plusieurs festivals nationaux et internationaux, à savoir Womex, Reepperbahn, Eurosonic, Rudolstadt, Kaustinen, Viljandi, Dranouter, Live at Heart, Exib Musica, Iminente, WestWay Lab, Med, Artes à Rua.
L’album « Baile Electrónico » (2017) a été sur le podium du World Music Charts Europe et a reçu en 2020 le prix Inatel, aux prix du Festival ibérique.
OMIRI développe également des projets spéciaux avec les communautés locales, destinés à des régions spécifiques.
Ce nouvel album est le résultat de huit années de recherche, au cours desquelles il a travaillé en parallèle sur des spectacles spécifiques pour les municipalités d’Évora, Pombal, Alcanena, Tomar et Setúbal, et qui ont abouti à des livres/CD, avec une réinterprétation de la culture de chaque région.
Imigraçao
REPORTAGEM: Imigrantes recebem aulas de português em Santa Comba da Vilariça, Vila Flor
Vila Flor, Bragança 06 fev 2025 (Lusa) – Imigrantes do Nepal e Índia estão a receber aulas grátis de português na aldeia de Santa Comba da Vilariça, no concelho de Vila Flor.
Na aldeia do distrito de Bragança moram cerca de 400 pessoas, contou à Lusa o presidente da junta de freguesia, Fernando Brás. Inscritos para frequentar estas lições estão mais de 60 pessoas e continuam a aumentar e por isso há turmas em lista de espera.
O autarca local estima que sejam 70 a 80 os imigrantes a residir em Santa Comba da Vilariça e nas localidades limítrofes. Começaram a recebê-los com mais expressão há cerca de três anos.
"Fizemos, só de uma vez, 55 inscritos E agora há mais pessoas a inscreverem-se também para obter esta formação, tão importante", partilhou Fernando Brás.
Em novembro, arrancou o primeiro grupo e ainda lhes falta cerca de um mês para concluir.
A região, explicou Fernando Brás, tem um grande défice de mão-de-obra, em especial no setor primário. A maioria dos imigrantes trabalha ou na agricultura ou numa fábrica de cogumelos em Benvelhai, no mesmo concelho.
"Temos ajudado naquilo que podemos. Não só porque precisamos da mão-de-obra mas, sobretudo, porque são seres humanos", afirmou o presidente da junta.
A hora marcada para o início das aulas é às 19:00, depois do trabalho, na casa do povo, e terminam às 23:00.
Nagendra, nepalês de 42 anos, foi um dos que chegou mais cedo no dia em que Lusa foi assistir e em que o tema foi o particípio passado dos verbos. Ajudou a arranjar as mesas e as cadeiras, dispostas em "u" no espaço polivalente onde é ministrada a formação.
"Isto é muito útil, porque aprendemos mais o português e precisamos disso. Porque estamos aqui em Portugal. A nossa professora está a ajudar-nos nisso", disse Nagendra antes do início da sessão.
A professora é Conceição Aleixo. É uma estreia a dar formações deste género, para imigrantes.
"Encontrei pessoas que realmente querem estar cá. A maior parte está a trabalhar e a contribuir para a sociedade. E, além disso, querem mesmo ficar no nosso país e estão muito gratos pelas oportunidades que damos", contou Conceição, que trabalha para a Consultua.
É o caso de Santosh, de 32 anos. Trabalha na agricultura. No Nepal era camionista, onde ganhava entre 200 a 300 euros por mês. Veio em busca de um salário melhor e com menos horas laborais.
Santosh chegou a Portugal há quatro anos. Percebe a língua, mas ainda tem algumas dificuldades em falar.
"Trabalho oito horas, depois vou a casa e venho para a escola. No dia seguinte, acordo às 6:00, mas vale a pena", respondeu sem hesitar.
Rosani tem 24 anos e há oito meses que se aventurou sozinha fora do Nepal. Disse que veio para ter um futuro melhor. É outra das formandas que quer dominar a língua. Quando isso acontecer, pondera prosseguir estudos. Para já, encontrou emprego na fábrica de produção de cogumelos.
"Aqui as pessoas são simpáticas e é muito bonita Santa Comba. (…). A minha família não está aqui, mas estas pessoas são mais do que minha família", compartilhou a jovem.
Sunil também é da região dos Himalaias. Revelou um percurso duro para chegar a Portugal. Desembarcou na Grécia e de lá foi a pé até Itália. Depois, apanhou autocarros.
"Passei pela Albânia, Itália, França, Espanha…(…). Acho que Portugal é um bom país. A agricultura e o tempo são parecidos com o Nepal", partilhou, dizendo sobre a língua que tem uma gramática muito difícil.
Estas formações, que têm financiamento, são feitas por entidades integradas no Programa Qualifica.
"Andámos durante cerca de um ano a tentar arranjar uma formação para esta gente. Uma das coisas que se definiu no início foi que os primeiros a frequentar estes cursos seriam as pessoas que têm mais necessidade", referiu Fernando Brás.
A necessidade é a de dominar a língua de acolhimento e serem autónomos para, por exemplo, renovar documentos junto da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) ou fazer o reagrupamento familiar.
Kabin, nepalês, está nessa situação.
"O sistema é muito mau. Estou a viver em Portugal há seis anos. Há quatro que estou em Santa Comba. Estou há três anos à espera de marcação para conseguir trazer a minha família, mas é muito difícil", queixou-se.
Antes da aula, a Lusa passou pelo centro da aldeia.
Por volta das 17:00, há movimento nas ruas. Na mercearia de Carla Brás, àquela hora quase todos os clientes são imigrantes. Com eles, fala inglês para auxiliar no que pode. À reportagem disse que a comunidade estrangeira traz movimento e que acha graça à troca cultural.
"As casas que estavam aí paradas, sem ninguém, está tudo habitado. (…) No início, foi um bocadinho estranho. Porque não falavam português e a cultura e a alimentação são muito diferentes. Não estávamos preparados", recordou Carla.
O problema resolveu-se com a troca de contactos, que permitiu a Carla encontrar os fornecedores certos para começar a encomendar as especiarias, arroz basmati e outras comidas apreciadas pelos novos residentes.
REPORTAGE : Des immigrés reçoivent des cours de portugais à Santa Comba da Vilariça, Vila Flor
Vila Flor, Bragança 06 fev 2025 (Lusa) – Des immigrants du Népal et de l’Inde reçoivent des cours de portugais gratuits dans le village de Santa Comba da Vilariça, dans la municipalité de Vila Flor.
Environ 400 personnes vivent dans le village du district de Bragança, a déclaré à Lusa le président du conseil paroissial, Fernando Brás. Plus de 60 personnes se sont inscrites pour assister à ces cours et ils continuent d’augmenter et il y a donc des cours sur la liste d’attente.
Le maire local estime qu’il y a 70 à 80 immigrants résidant à Santa Comba da Vilariça et dans les environs. Ils ont commencé à les recevoir avec plus d’expression il y a environ trois ans.
« Nous avons fait, une seule fois, 55 inscrits Et maintenant, il y a plus de personnes qui s’inscrivent également pour obtenir cette formation, qui est si importante », a déclaré Fernando Brás.
En novembre, le premier groupe a commencé et il leur reste encore environ un mois pour terminer.
La région, a expliqué Fernando Brás, a un important déficit de main-d’œuvre, en particulier dans le secteur primaire. La plupart des immigrants travaillent soit dans l’agriculture, soit dans une usine de champignons à Benvelhai, dans la même municipalité.
« Nous avons aidé de toutes les manières possibles. Non seulement parce que nous avons besoin de main-d’œuvre, mais surtout parce qu’il s’agit d’êtres humains », a déclaré le président du conseil.
L’heure prévue pour le début des cours est à 19h00, après le travail, à la maison des gens, et se termine à 23h00.
Nagendra, un Népalais de 42 ans, était l’un de ceux qui sont arrivés plus tôt le jour où Lusa est allée regarder et dont le thème était le participe passé des verbes. Il a aidé à disposer les tables et les chaises, disposées en forme de « U » dans l’espace polyvalent où la formation est dispensée.
« C’est très utile, car nous apprenons plus le portugais et nous en avons besoin. Parce que nous sommes ici au Portugal. Notre professeur nous aide avec cela », a déclaré Nagendra avant le début de la session.
L’enseignant est Conceição Aleixo. C’est une première pour donner une formation de ce genre, pour les immigrants.
« J’ai trouvé des gens qui veulent vraiment être ici. La plupart d’entre eux travaillent et contribuent à la société. Et, en plus, ils veulent vraiment rester dans notre pays et sont très reconnaissants des opportunités que nous leur offrons", a déclaré Conceição, qui travaille pour Consultua.
C’est le cas de Santosh, 32 ans. Il travaille dans l’agriculture. Au Népal, il était chauffeur de camion, où il gagnait entre 200 et 300 euros par mois. Il est venu à la recherche d’un meilleur salaire et avec moins d’heures de travail.
Santosh est arrivé au Portugal il y a quatre ans. Il comprend la langue, mais a encore quelques difficultés à parler.
« Je travaille huit heures, puis je rentre chez moi et je viens à l’école. Le lendemain, je me réveille à 6h00, mais ça vaut le coup », a-t-il répondu sans hésiter.
Rosani a 24 ans et il y a huit mois, elle s’est aventurée seule hors du Népal. Il a dit qu’il était venu pour avoir un avenir meilleur. C’est une autre des stagiaires qui veut maîtriser la langue. Lorsque cela se produira, il envisage de poursuivre ses études. Pour l’instant, il a trouvé un emploi à l’usine de production de champignons.
« Ici, les gens sont sympathiques et Santa Comba est très belle. (…). Ma famille n’est pas ici, mais ces gens-là sont plus que ma famille », a partagé la jeune femme.
Sunil est également originaire de la région himalayenne. Il a révélé un chemin difficile pour atteindre le Portugal. Il a atterri en Grèce et de là, il a marché jusqu’en Italie. Puis il a pris des bus.
« Je suis passé par l’Albanie, l’Italie, la France, l’Espagne... (…). Je pense que le Portugal est un bon pays. L’agriculture et le climat sont similaires à ceux du Népal », a-t-il partagé, affirmant à propos de la langue qu’elle a une grammaire très difficile.
Ces formations, qui sont financées, sont réalisées par des entités intégrées dans le programme Qualifica.
« Nous avons passé environ un an à essayer de trouver une formation pour ces gens. L’une des choses qui a été définie au départ était que les premiers à assister à ces cours seraient les personnes qui en auraient le plus besoin », a déclaré Fernando Brás.
Il s’agit de maîtriser la langue d’accueil et d’être autonome pour, par exemple, renouveler des documents auprès de l’Agence pour l’intégration, la migration et l’asile (AIMA) ou faire du regroupement familial.
Kabin, népalais, est dans cette situation.
« Le système est très mauvais. Je vis au Portugal depuis six ans. Je suis à Santa Comba depuis quatre ans. J’attends depuis trois ans un rendez-vous pour pouvoir faire venir ma famille, mais c’est très difficile », se plaint-il.
Avant le cours, Lusa est passée par le centre du village.
Vers 17h00, il y a du mouvement dans les rues. À l’épicerie de Carla Brás, à l’époque, presque tous les clients étaient des immigrants. Avec eux, il parle anglais pour aider de toutes les manières possibles. À propos du rapport, il a déclaré que la communauté étrangère apporte du mouvement et qu’il trouve les échanges culturels amusants.
« Les maisons qui étaient là, sans personne, tout est habité. (…) Au début, c’était un peu étrange. Parce qu’ils ne parlaient pas portugais et que la culture et la nourriture sont très différentes. Nous n’étions pas préparées », se souvient Carla.
Le problème a été résolu grâce à l’échange de contacts, ce qui a permis à Carla de trouver les bons fournisseurs pour commencer à commander les épices, le riz basmati et d’autres aliments appréciés par les nouveaux résidents.
Mónica de Miranda apresenta novo projeto na Bienal de Sharjah nos Emirados Árabes Unidos
Sharjah, Emirados Árabes Unidos, 06 fev 2025 (Lusa) – A artista portuguesa Mónica de Miranda apresenta o seu mais recente projeto, "Como se no mundo não houvesse oeste", na 16.ª Bienal de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, que começa hoje.
Este projeto de Mónica de Miranda "reúne documentos concretos da história com explorações estéticas sistemáticas que visam trazer à luz as memórias, ideias e conceções ocultas da realidade e retratam a queda do império português e as ruínas coloniais desse império que agora são engolidas pela natureza num ato de regeneração natural", de acordo com a assessoria da artista, em comunicado.
Partindo do caderno de campo, nunca publicado, do antropólogo angolano Augusto Zita, "um dos primeiros antropólogos africanos a inverter o rumo da investigação antropológica para o colonizador", Mónica de Miranda criou um filme, no qual "dá voz às suas pesquisas e investigações no deserto do Namibe, onde este concebeu um sistema cosmológico orientado para a natureza, tendo a luz como terceira dimensão".
"O filme retrata também a relação que Augusto Zita tinha com a welwitschia, uma planta que existe apenas no deserto do Namibe, considerada sagrada pelas culturas indígenas da região, um símbolo de resistência", lê-se no comunicado.
"Como se no mundo não houvesse Oeste" inclui também imagens, "que retratam os resquícios coloniais portugueses no deserto de Namibe, no Towba e na Baía dos Tigres, no sul de Angola, esta última uma aldeia 'fantasma', fundada por pescadores do Algarve, por volta de 1860, e que foi habitada por eles até ao final do período colonial, em 1975, e posteriormente abandonada".
A Bienal de Sharjah é considerada uma plataforma privilegiada para os artistas e agentes culturais darem a conhecer o seu trabalho no Médio Oriente e realizou-se pela primeira vez em 1993.
A 16.ª Bienal de Sharjah, que decorre até 15 de junho, tem curadoria de cinco mulheres: a curadora Alia Swastika, a curadora e artista Amal Khalaf, a escritora e curadora Megan Tamati-Quennell, a curadora, escritora e investigadora Natasha Ginwala e a curadora Zeynep Öz.
Utilizando desenho, instalação, fotografia, vídeo e som, o trabalho de Mónica de Miranda é baseado em temas de arqueologia urbana e geografia pessoal.
Cofundadora do Hangar (Centro de Investigação Artística), em Lisboa, Mónica de Miranda foi nomeada em 2019 para o Prémio EDP Novos Artistas e, em 2014, para o Prémio Novo Banco de Fotografia.
Recentemente, foi contemplada com uma bolsa Soros Arts 2023, "prémio proeminente que apoia arte socialmente engajada", da rede internacional de filantropia Open Society Foundations.
A obra de Mónica de Miranda está representada em várias coleções, tanto públicas como privadas, entre as quais a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Nacional de Arte Contemporânea, a Nesr Art Foundation e o Arquivo Municipal de Lisboa.
Em 2024, representou oficialmente Portugal na 60.ª Bienal de Arte de Veneza, com o projeto artístico "Greenhouse", que partilha com Sónia Vaz Borges e Vânia Gala.
Mónica de Miranda présente un nouveau projet à la Biennale de Sharjah aux Émirats arabes unis
Sharjah, Emirados Árabes Unidos, 06 fev 2025 (Lusa) – L’artiste portugaise Mónica de Miranda présente son dernier projet, « Comme s’il n’y avait pas d’Occident dans le monde », à la 16e Biennale de Sharjah, aux Émirats arabes unis, qui commence aujourd’hui.
Ce projet de Mónica de Miranda « rassemble des documents concrets de l’histoire avec des explorations esthétiques systématiques qui visent à mettre en lumière les souvenirs, les idées et les conceptions cachées de la réalité et à dépeindre la chute de l’empire portugais et les ruines coloniales de cet empire qui sont maintenant englouties par la nature dans un acte de régénération naturelle », selon l’avis de l’artiste, dans un communiqué.
À partir du carnet de terrain, jamais publié, de l’anthropologue angolais Augusto Zita, « l’un des premiers anthropologues africains à inverser le cours de la recherche anthropologique pour le colonisateur », Mónica de Miranda a créé un film, dans lequel elle « donne la parole à ses recherches et investigations dans le désert du Namib, où il a conçu un système cosmologique orienté vers la nature, ayant la lumière comme troisième dimension ».
« Le film dépeint également la relation qu’Augusto Zita entretenait avec la welwitschia, une plante qui n’existe que dans le désert du Namib, considérée comme sacrée par les cultures indigènes de la région, symbole de résistance », peut-on lire dans le communiqué.
« Comme s’il n’y avait pas d’Occident dans le monde » comprend également des images, « qui dépeignent les vestiges coloniaux portugais dans le désert du Namib, à Towba et à Baía dos Tigres, dans le sud de l’Angola, ce dernier étant un village « fantôme », fondé par des pêcheurs de l’Algarve, vers 1860, et qui a été habité par eux jusqu’à la fin de la période coloniale. en 1975, puis abandonné ».
La Biennale de Sharjah est considérée comme une plate-forme privilégiée pour les artistes et les agents culturels pour faire connaître leur travail au Moyen-Orient et s’est tenue pour la première fois en 1993.
La 16e Biennale de Sharjah, qui se déroule jusqu’au 15 juin, est organisée par cinq femmes : la commissaire Alia Swastika, la commissaire et artiste Amal Khalaf, l’écrivaine et commissaire d’exposition Megan Tamati-Quennell, la conservatrice, écrivaine et chercheuse Natasha Ginwala et la commissaire Zeynep Öz.
À travers le dessin, l’installation, la photographie, la vidéo et le son, le travail de Mónica de Miranda s’articule autour des thèmes de l’archéologie urbaine et de la géographie personnelle.
Cofondatrice de Hangar (Centre de Recherche Artistique) à Lisbonne, Mónica de Miranda a été nominée en 2019 pour le Prix EDP Nouveaux Artistes et, en 2014, pour le Prix Novo Banco de Fotografia.
Récemment, elle a reçu une bourse Soros Arts 2023, « un prix de premier plan qui soutient l’art socialement engagé », de la part du réseau philanthropique international Open Society Foundations.
L’œuvre de Mónica de Miranda est représentée dans plusieurs collections, publiques et privées, dont la Fondation Calouste Gulbenkian, le Musée national d’art contemporain, la Fondation Nesr Art et les Archives municipales de Lisbonne.
En 2024, elle a officiellement représenté le Portugal à la 60e Biennale d’art de Venise, avec le projet artistique « Greenhouse », qu’elle partage avec Sónia Vaz Borges et Vânia Gala.

Principais acontecimentos registados no dia 07 de Fevereiro, Dia de Trabalhar Nu:
1812 - Nasce o escritor inglês Charles John Huffam Dickens, Charles Dickens.
1878 – Morre, aos 85 anos, o italiano Giovanni Maria, Papa Pio IX.
1894 – Morre, com 79 anos, o fabricante de instrumentos musicais belga Antoine-Joseph Sax, Adolfo Sax, inventor do saxofone.
1900 - Criação da Comissão Representativa do Trabalho que dará origem ao Partido Trabalhista inglês.
1915 - António Manuel Pereira Ribeiro é sagrado bispo do Funchal. É a primeira sagração episcopal, após a implantação da República.
1927 - Revolta do Reviralho, em Lisboa. A ação justifica a criação da Polícia de Informações, na base da PVDE/PIDE-DGS.
1943 – O Benfica vence o FC Porto por 12 a 2 em jogo do Campeonato Nacional da I Divisão, disputado no Campo Grande, em Lisboa.
1944 - II Guerra Mundial. Forças alemãs atacam a frente aliada em Anzio, Itália.
1947 - É rejeitada a proposta britânica para a divisão da Palestina em duas zonas, árabe e judaica, sob administração conjunta.
1952 – Morre, com 27 anos, o poeta Sebastião da Gama, autor de "Serra-Mãe".
1962 - 298 mineiros morrem na explosão da mina de carvão de Saarbruecken, Alemanha Federal.
1964 - Estreia dos Beatles na televisão dos Estados Unidos. Quatro britânicos fazem um show visto por 73 milhões de pessoas.
1965 – Guerra do Vietname. Começam os bombardeamentos aéreos pela aviação dos Estados Unidos.
1974 - Independência de Granada, nas Antilhas.
1975 - É criado pelo Decreto-Lei 51/75 o IAPMEI, Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas Industriais e define a sua competência.
1976 - O Governo português consagra o direito de licença de parto por 90 dias a todas as mulheres trabalhadoras, decreto-Lei n.º 112/76.
1980 - Liberalização da rádio e da televisão na República Federal Alemã.
1984 - Membros da FP-25 assaltam uma viatura de transporte de valores no centro de Lisboa. O roubo atinge cerca 108 mil contos (cerca de 540 mil euros).
- Morre, aos 72 anos, o ator Francisco Carlos Lopes Ribeiro, Ribeirinho, responsável pela estreia em Portugal de Samuel Beckett.
1985 - O capitão da polícia secreta polaca Grzegorz Piotrowski é condenado a 25 anos de prisão pelo assassínio do padre Popieluszko.
1986 - O antigo Presidente do Haiti, Jean-Claude Duvalier, abandona o país.
- A candidata da oposição às eleições presidenciais das Filipinas, Corazón Aquino, proclama a vitória sobre o ditador Ferdinando Marcos.
1990 - Maria Branca dos Santos ou D. Branca, a Banqueira do Povo, é condenada a 10 anos de prisão.
- O Partido Comunista da URSS acata o pluralismo partidário.
1991 - O IRA, Exército Republicano Irlandês, ataca a Downing Street, em Londres, Inglaterra.
- Toma posse o padre católico romano da Ordem salesiana Jean-Bertrand Aristide, primeiro Presidente do Haiti eleito por sufrágio universal.
1992 - É assinado o Tratado da União Europeia na cidade holandesa de Maastricht, pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e das Finanças da CEE, numa cerimónia a que assiste o presidente do conselho europeu, Aníbal Cavaco Silva.
1996 - O Tribunal da Relação de Évora ordena a extradição, para Itália, de Emilio Giovinne, condenado pela Justiça portuguesa por tráfico de droga.
1999 - Morre, com 63 anos, o rei Hussein da Jordânia. Sucede-lhe seu filho, Abdalá II.
2003 - São despedidos cerca de 300 dos 588 trabalhadores da fábrica de calçado C&J Clark, de Castelo de Paiva, em Aveiro.
- O Tribunal Penal Internacional - resulta de uma campanha iniciada com os julgamentos de Nuremberga e de Tóquio (Segunda Grande Guerra) e a sua jurisdição abrange todos os crimes de genocídio, contra a humanidade e de guerra cometidos após 01 de Julho de 2002, desde que os respectivos países declarem não ter condições para os julgar - conclui a eleição dos seus 18 juízes que vão prestar juramento perante a rainha Beatriz da Holanda a 11 de março e o tribunal abrirá as portas em Haia.
2004 - A União Europeia e os 16 países da África Austral e Oriental começam, na Ilha Maurícia, as negociações para o acordo de livre troca, que se estenderão até 2007.
2005 - Oito quadros do pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) são vendidos por cerca de 13,4 milhões de euros na leiloeira Christie`s em Londres.
2006 - O movimento radical palestiniano Hamas convida a Fatah, do Presidente Mahmud Abbas, para formar Governo de coligação.
- Libertação do marroquino Mounir el Motassadeq, condenado em agosto de 2005, na Alemanha a sete anos de prisão, por envolvimento nos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos.
- A Justiça francesa inviabiliza a providência cautelar interposta por organizações muçulmanas entre as quais o Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), a mais alta instância do Islão em França destinada a impedir o jornal satírico Charlie Hebdo de publicar as caricaturas de Maomé.
2007 – O Presidente de República, Aníbal Cavaco Silva, promulga a Lei das Finanças Regionais.
- A polícia austríaca anuncia o desmantelamento de uma rede internacional de pornografia infantil, através da Internet, envolvendo 2.360 suspeitos em 77 países.
- Morre, com 79 anos, Alan MacDiarmid, químico norte-americano nascido na Nova Zelândia, Prémio Nobel da Química em 2000, pela descoberta de que certos plásticos podem ser quimicamente modificados para conduzir eletricidade quase tão facilmente quanto os metais.
2008 - A Assembleia da República rejeita por maioria quatro propostas de realização de um referendo ao Tratado Europeu com os votos negativos da maioria das bancadas do PS e do PSD
- O Parlamento francês ratifica o Tratado de Lisboa, 32 meses depois de os eleitores franceses recusarem num referendo o projeto de Constituição da União Europeia.
- Na Turquia, a revisão da Constituição permite uso do véu na universidade.
2010 - Souha Abdallah Jarallah, candidata às eleições legislativas de março no Iraque, é assassinada por homens armados em Mossul, no norte do país.
- Morre, com 65 anos, a cantora Hermínia d'Antónia de Sal, considerada uma das mais importantes vozes da música cabo-verdiana.
- Morre, aos 45 anos, o selecionador italiano de ciclismo, Franco Ballerini, vencedor da "rainha das clássicas" Paris-Roubaix em 1995 e 1998.
2014 - O contrato de venda das seguradoras da Caixa Geral de Depósitos é assinado entre os responsáveis do grupo financeiro público português e os líderes da companhia chinesa Fosun International.
2015 – Morre, com 77 anos, o historiador Manuel Lucena. Foi um dos fundadores da revista O Tempo e o Modo e fez parte da Frente Patriótica de Libertação Nacional, que dirigiu, até 1968.
2017 - A Federação Internacional de Futebol (FIFA) amplia a nível mundial, durante três anos, a sanção de interdição de participação em atividades relacionadas com futebol, imposta pela Comissão Disciplinar da Confederação Asiática de Futebol ao secretário-geral da Federação de Futebol de Timor-Leste, Amândio de Araújo Sarmento, considerado culpado de usar documentos falsos para regularizar jogadores brasileiros.
- Morre, aos 89 anos, Roger Walkowiak, o mais antigo campeão da Volta a França em bicicleta.
- Morre, com 57 anos, Viktor Chanov, guarda-redes da antiga União Soviética e do Dinamo de Kiev.
2019 - O Governo aprova o diploma setorial da transferência de competências para as freguesias, no âmbito do processo de descentralização para as autarquias e entidades intermunicipais.
- Morre, aos 92 anos, John Dingell, o ex-congressista democrata do Michigan que mais tempo esteve no Congresso norte-americano.
- Morre, com 91 anos, a atriz Cremilda Gil.
- Morre, aos 82 anos, o ator britânico Albert Finney. Fez parte do elenco de filmes como "O Grande Peixe" (2003), de Tim Burton, "007: Skyfall" (2012), de Sam Mendes, e "O Legado de Bourne", de Tony Gilroy.
2020 – Morre, aos 33 anos, Li Wenliang, o médico oftalmologista chinês que alertou para a existência de um surto de um novo coronavírus.
- É sorteado o primeiro Super Jackpot Mínimo Garantido de 130 milhões de euros do novo Euromilhões, na sequência de uma reformulação dos prémios acordada por 10 operadores europeus.
- Morre, aos 83 anos, João Malaca Casteleiro, linguista português, figura central na elaboração do novo Acordo Ortográfico. Foi presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia entre 1991 e 2008
- Morre, aos 91 anos, Dallas Frederick Burrows, Orson Bean, ator e comediante norte-americano.
2022 - Pelo menos 10 membros da Comissão Política Nacional do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) apresentam a demissão daquele órgão, entre os quais o deputado Nelson Silva e os porta-vozes regionais dos Açores e Madeira, alegando "asfixia democrática interna".
- Morre, com 79 anos, Douglas Trumbull, artista e realizador norte-americano, um dos responsáveis pelos efeitos visuais inovadores de vários filmes de ficção científica, como "2001: Odisseia no Espaço" (1968) e "Blade Runner – Perigo Iminente" (1982).
2023 - O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, garante ter conquistado sete localidades, incluindo Soledar, uma cidade vizinha de Bakhmut que as forças ucranianas cederam em janeiro.
- No discurso do Estado da União perante o Congresso, o Presidente norte-americano Joe Biden, assegura o apoio à Ucrânia pelo "tempo que for preciso".
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Principaux événements enregistrés le 7 février,
1812 - Naissance de l’écrivain anglais Charles John Huffam Dickens, Charles Dickens.
1878 – L’Italien Giovanni Maria, pape Pie IX, meurt à l’âge de 85 ans.
1894 – Le fabricant belge d’instruments de musique Antoine-Joseph Sax, Adolfo Sax, inventeur du saxophone, meurt à l’âge de 79 ans.
1900 - La Commission représentative du travail est créée, qui donnera naissance au Parti travailliste britannique.
1915 – António Manuel Pereira Ribeiro est consacré évêque de Funchal. Il s’agit de la première consécration épiscopale après l’instauration de la République.
1927 - Révolte de Reviralho, à Lisbonne. Cette action justifie la création de la Police de l’Information, sur la base de la DGS PVDE/PIDE.
1943 – Benfica bat le FC Porto par 12 à 2 dans un match du championnat national de la première division, disputé à Campo Grande, à Lisbonne.
1944 - Seconde Guerre mondiale. Les forces allemandes attaquent le front allié à Anzio, en Italie.
1947 – La proposition britannique de division de la Palestine en deux zones, arabe et juive, sous administration conjointe, est rejetée.
1952 – Le poète Sebastião da Gama, auteur de « Serra-Mãe », meurt à l’âge de 27 ans.
1962 - 298 mineurs meurent dans l’explosion de la mine de charbon de Sarrebruck, en Allemagne fédérale.
1964 : Les Beatles font leurs débuts à la télévision aux États-Unis. Quatre Britanniques ont offert un spectacle vu par 73 millions de personnes.
1965 – Guerre du Vietnam. Les bombardements aériens de l’aviation américaine commencent.
1974 – La Grenade accède à l’indépendance des Antilles.
1975 - Le décret-loi 51/75 crée l’IAPMEI, Institut d’Appui aux Petites et Moyennes Entreprises Industrielles et définit ses compétences.
1976 - Le gouvernement portugais consacre le droit à un congé de maternité de 90 jours à toutes les femmes qui travaillent, décret-loi n° 112/76.
1980 - Libéralisation de la radio et de la télévision en République fédérale d’Allemagne.
1984 - Des membres du FP-25 cambriolent un véhicule de transport d’objets de valeur dans le centre de Lisbonne. Le vol atteint environ 108 millions d’escudos (environ 540 mille euros).
- L’acteur Francisco Carlos Lopes Ribeiro, Ribeirinho, responsable des débuts de Samuel Beckett au Portugal, meurt à l’âge de 72 ans.
1985 - Le capitaine de la police secrète polonaise Grzegorz Piotrowski est condamné à 25 ans de prison pour le meurtre du père Popieluszko.
- 1986 – L’ancien président d’Haïti, Jean-Claude Duvalier, quitte le pays.
- Le candidat de l’opposition aux élections présidentielles philippines, Corazón Aquino, proclame la victoire sur le dictateur Ferdinando Marcos.
1990 - Maria Branca dos Santos ou D. Branca, la Banquière du Peuple, est condamnée à 10 ans de prison.
- Le Parti communiste de l’URSS adhère au pluralisme des partis.
1991 – L’IRA attaque Downing Street à Londres, en Angleterre.
- Le prêtre catholique romain de l’Ordre salésien, Jean-Bertrand Aristide, premier Président d’Haïti élu au suffrage universel, prend ses fonctions.
1992 - Le traité sur l’Union européenne est signé dans la ville néerlandaise de Maastricht, par les ministres des Affaires étrangères et des Finances de la CEE, lors d’une cérémonie à laquelle assiste le président du Conseil européen, Aníbal Cavaco Silva.
1996 - La Cour d’appel d’Évora ordonne l’extradition, vers l’Italie, d’Emilio Giovinne, condamné par la justice portugaise pour trafic de drogue.
1999 – Le roi Hussein de Jordanie meurt à l’âge de 63 ans. Son fils, Abdallah II, lui succéda.
2003 - Environ 300 des 588 travailleurs de l’usine de chaussures C&J Clark, à Castelo de Paiva, à Aveiro, sont licenciés.
- La Cour pénale internationale - résultat d’une campagne qui a débuté avec les procès de Nuremberg et de Tokyo (Seconde Guerre mondiale) et dont la compétence couvre tous les génocides, crimes contre l’humanité et crimes de guerre commis après le 1er juillet 2002, à condition que les pays respectifs déclarent qu’ils ne sont pas en mesure de les juger - conclut l’élection de ses 18 juges qui prêteront serment devant la reine Beatrix des Pays-Bas le 11 juillet 2002. Mars et la Cour ouvrira ses portes à La Haye.
2004 - L’Union européenne et les 16 pays d’Afrique australe et orientale entament à Maurice des négociations sur un accord de libre-échange, qui durera jusqu’en 2007.
2005 - Huit tableaux du peintre espagnol Pablo Picasso (1881-1973) se vendent pour environ 13,4 millions d’euros à la maison de vente aux enchères Christie’s à Londres.
2006 - Le mouvement radical palestinien Hamas invite le Fatah du président Mahmoud Abbas à former un gouvernement de coalition.
- Libération du Marocain Mounir el Motassadeq, condamné en août 2005 en Allemagne à sept ans de prison pour son implication dans les attentats du 11 septembre 2001 aux États-Unis.
- La justice française rend impossible l’injonction déposée par des organisations musulmanes, dont le Conseil français du culte musulman (CFCM), la plus haute instance de l’islam en France visant à empêcher le journal satirique Charlie Hebdo de publier les caricatures de Mahomet.
2007 – Le président de la République, Aníbal Cavaco Silva, promulgue la loi de finances régionales.
- La police autrichienne annonce le démantèlement d’un réseau international de pornographie enfantine via Internet, impliquant 2 360 suspects dans 77 pays.
- Alan MacDiarmid, chimiste américain né en Nouvelle-Zélande, prix Nobel de chimie en 2000, meurt à l’âge de 79 ans pour avoir découvert que certains plastiques peuvent être modifiés chimiquement pour conduire l’électricité presque aussi facilement que les métaux.
2008 - L’Assemblée de la République rejette à la majorité quatre propositions d’organiser un référendum sur le traité européen avec les voix négatives de la majorité des bancs du PS et du PSD
- Le Parlement français ratifie le traité de Lisbonne, 32 mois après le rejet par référendum du projet de Constitution de l’Union européenne.
- En Turquie, la révision de la Constitution autorise le port du voile à l’université.
2010 - Souha Abdallah Jarallah, candidate aux élections législatives irakiennes de mars, est assassinée par des hommes armés à Mossoul, dans le nord du pays.
- La chanteuse Hermínia d’Antónia de Sal, considérée comme l’une des voix les plus importantes de la musique capverdienne, meurt à l’âge de 65 ans.
- L’entraîneur cycliste italien Franco Ballerini, vainqueur de la « reine des classiques » Paris-Roubaix en 1995 et 1998, meurt à l’âge de 45 ans.
2014 - Signature du contrat de vente des compagnies d’assurance de Caixa Geral de Depósitos entre les dirigeants du groupe financier public portugais et les dirigeants de la société chinoise Fosun International.
2015 – L’historien Manuel Lucena meurt à l’âge de 77 ans. Il a été l’un des fondateurs de la revue O Tempo e o Modo et a fait partie du Front patriotique de libération nationale, qu’il a dirigé jusqu’en 1968.
2017 - La Fédération Internationale de Football Association (FIFA) étend dans le monde entier, pour trois ans, la sanction d’interdiction de participation à des activités liées au football, imposée par la Commission disciplinaire de la Confédération asiatique de football au secrétaire général de la Fédération de football du Timor-Leste, Amândio de Araújo Sarmento, reconnu coupable d’avoir utilisé de faux documents pour régulariser des joueurs brésiliens.
- Roger Walkowiak, le plus vieux champion du Tour de France à vélo, décède à l’âge de 89 ans.
- Viktor Chanov, gardien de but de l’ex-Union soviétique et du Dynamo Kiev, meurt à l’âge de 57 ans.
2019 - Le Gouvernement approuve le diplôme sectoriel de transfert de compétences aux paroisses, dans le cadre du processus de décentralisation des communes et des intercommunalités.
- John Dingell, l’ancien membre démocrate du Congrès du Michigan ayant servi le plus longtemps, meurt à l’âge de 92 ans.
- L’actrice Cremilda Gil meurt à l’âge de 91 ans.
- L’acteur britannique Albert Finney meurt à l’âge de 82 ans. Il a fait partie du casting de films tels que « The Big Fish » (2003), de Tim Burton, « 007 : Skyfall » (2012), de Sam Mendes et « Bourne’s Legacy », de Tony Gilroy.
2020 – Li Wenliang, l’ophtalmologiste chinois qui a mis en garde contre une épidémie d’un nouveau coronavirus, meurt à l’âge de 33 ans.
- Le premier Super Jackpot Minimum Garanti de 130 millions d’euros du nouvel Euromillions est tiré, suite à une reformulation des prix convenue par 10 opérateurs européens.
- João Malaca Casteleiro, linguiste portugais, figure centrale dans la rédaction du nouvel accord orthographique, meurt à l’âge de 83 ans. Il a été président de l’Institut de lexicologie et de lexicographie entre 1991 et 2008
- Dallas Frederick Burrows, Orson Bean, acteur et comédien américain, meurt à l’âge de 91 ans.
2022 - Au moins 10 membres de la Commission politique nationale du PAN (People-Animals-Nature) démissionnent de cet organe, dont le député Nelson Silva et les porte-parole régionaux des Açores et de Madère, alléguant une « asphyxie démocratique interne ».
- Douglas Trumbull, artiste et réalisateur américain, l’une des personnes responsables des effets visuels innovants de plusieurs films de science-fiction, tels que « 2001 : L’Odyssée de l’espace » (1968) et « Blade Runner » (1982), meurt à l’âge de 79 ans.
2023 - Le ministre russe de la Défense Sergueï Choïgou affirme avoir conquis sept localités, dont Soledar, une ville voisine de Bakhmut que les forces ukrainiennes ont cédée en janvier.
- Dans son discours sur l’état de l’Union devant le Congrès, le président américain Joe Biden assure son soutien à l’Ukraine « aussi longtemps qu’il le faudra ».
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LITERATURA/LIVROS
ENTREVISTA: Livro "Saber perder" de Margarida Ferra é como um museu que guarda fragmentos de memória
Lisboa, 02 fev 2025 (Lusa) - O livro "Saber perder", de Margarida Ferra, a publicar na segunda-feira, é como um museu, guarda uma coleção de fragmentos de memória, "com fios e ligações entre as peças", que apresenta um retrato do modo de vida contemporâneo.
O museu é metáfora deste breve livro de não-ficção, publicado pela Companhia das Letras, em que a autora, também museóloga, reuniu pedaços da vida que foi recolher a esse "quarto desarrumado" que é a memória, dando-lhes a ordem possível, através da escrita, como contou, em entrevista, à agência Lusa.
"Coleciono memórias, mais do que objetos. Escrever sobre elas é uma maneira de conservá-las. Fazê-las circular na vida dos outros", escreve Margarida Ferra no livro, que compila vários pequenos textos, sobre episódios, impressões, recordações que convidam o leitor a uma partilha da sua intimidade.
Fios de malha, viagens à Grécia, visitas a museus, dias de confinamento, anéis perdidos, jogos de tabuleiro em família, o café da esquina e um rapaz do Paquistão, partidas de futebol na cidade, um missal, lembranças do avô, álbuns de fotografias, um missal e um jazigo, a maternidade, toda uma coleção privada de lugares que Margarida escolheu trazer para este seu primeiro livro de prosa.
Os temas foram surgindo, para alimentar um pensamento que queria desenvolver, que é a ideia de que as coisas, os objetos, os materiais "passam por nós temporariamente, não somos verdadeiramente donos delas" e "isso também faz pensar nos museus".
"Eu acho que isso é o encanto dos museus e por isso é que eu gosto tanto de museus, porque acho que há uma relação entre um tempo que se quis congelar e o mundo em que nós vivemos, e é esse o movimento que me interessa no museu, é estar sempre a tentar ler o mundo em que vivemos a partir desses recortes que estão congelados atrás de vitrinas".
Eram também "esses pequenos recortes da realidade, como peças", que a levavam a "construir um poema e depois um livro de poemas, com esse conjunto", explicou Margarida Ferra, que publicou anteriormente dois livros de poesia, o último dos quais em 2013.
"O que aconteceu foi que, enfim, eu deixei de ter vontade de escrever poesias. A forma do poema, para aquilo que eu tinha, para o meu desejo, para a minha relação com o texto, já não me estava a servir, era uma forma mais limitada, e senti necessidade da extensão de textos de maior fôlego, mesmo que estes textos sejam compostos por fragmentos", contou.
Mas em qualquer dos géneros, poesia ou prosa, há uma continuidade no trabalho, na forma como escreve, revelou, explicando que aquilo que a entusiasmava e que a levava a escrever um poema, no fundo, é o mesmo que a entusiasma e que a motiva a juntar estes fragmentos.
Isso mesmo é descrito no livro a dado momento: "Parto para o texto com uma lista de ideias. Imagens que há uns anos teriam sido o gatilho para um poema".
A diferença é que, com o passar do tempo, a autora começou a sentir que, para aquilo que tinha a dizer, o poema era "uma unidade muito mais pequena".
"Podia ter escolhido fazer poemas narrativos, mas, na verdade, o que me interessava na escrita destes textos, como acontece em alguns que gosto muito de ler, é a ideia de o leitor ficar fixado numa imagem que está no texto, sem saber aonde é que aquilo vai dar. No fundo, também é um bocadinho a respiração da crónica. E foi essa respiração que eu procurei nestes textos, coisa que não estava a conseguir fazer dentro da poesia".
Margarida Ferra começou a escrever este livro em 2021 e, embora alguns dos episódios antigos descritos constassem de anotações dispersas que fizera na altura, não recorreu a eles, recuperou "a memória desses apontamentos, mas não esses apontamentos".
"Não fui assim à gaveta e limpei a gaveta, com coisas que lá estavam antigas. Não, foi tudo construído para ser este livro, e comecei a fazer isto depois da pandemia. Comecei com uma certa ideia de que precisava de controlar um bocadinho a realidade que sentia fora de controlo por várias motivos, aqueles que todos nós conhecemos e outros mais privados, na minha família. Então, senti essa necessidade, e a escrita deu-me essa possibilidade de moldar a realidade, em vez de ser moldada por ela".
Margarida Ferra até pode anotar ideias em cadernos – costuma transportar sempre consigo um caderninho, no qual vai tomando notas –, mas quando está a trabalhar efetivamente, quando decide que a escrita é um projeto e se dedica a isso, escreve tudo no computador.
"Não escrevo por fragmentos e depois colo os fragmentos. Não, eu escrevo por textos e os textos são compostos por fragmentos, como missangas num fio, não é? Vou fazendo este fio, vou juntando estas pecinhas, estes pedaços, estes fragmentos".
Para já, a ficção e o regresso à poesia não estão no seu horizonte. Sempre teve "uma relação com a escrita", mas falta-lhe a ideia para um romance, e gostou de escrever poesia, mas não se vê a regressar, porque – como explicou - este tipo de textos, que compõem "Saber perder", respondem mais à corrente do seu pensamento e à sua relação com a linguagem.
"A escrita está sempre presente. A forma que organiza o meu pensamento. Um certo modo de guardar o mundo, de ligar pontos dispersos em fragmentos colecionados e arrumados num texto tracejado como este. (…) Um gesto na direção de quem possa ler: os meus pontos ligados a outros, peças de outras coleções", escreveu Margarida Ferra no texto que fecha o livro.
A escritora, autora dos livros de poesia "Curso intensivo de jardinagem" e "Sorte de principiante", licenciou-se em Ciências da Comunicação, frequentou um mestrado em Museologia, focando-se na relação entre museus, pessoas e literatura, e trabalhou, entre outros sítios, no Palácio da Ajuda, em livrarias e editoras, na Casa Fernando Pessoa e no Museu da Marioneta. Atualmente trabalha na Quinta Alegre – Um Teatro em Cada Bairro".
INTERVIEW : Le livre « Savoir perdre » de Margarida Ferra est comme un musée qui conserve des fragments de mémoire
Lisboa, 02 fev 2025 (Lusa) - Le livre « Saber perder », de Margarida Ferra, qui sera publié lundi, est comme un musée, il contient une collection de fragments de mémoire, « avec des fils et des connexions entre les pièces », qui présente un portrait du mode de vie contemporain.
Le musée est une métaphore de ce bref livre de non-fiction, publié par Companhia das Letras, dans lequel l’auteure, également muséologue, a rassemblé des morceaux de la vie qu’elle est allée collecter dans cette « pièce en désordre » qu’est la mémoire, en leur donnant l’ordre possible, par l’écriture, comme elle l’a dit à l’agence Lusa dans une interview.
« Je collectionne des souvenirs, plus que des objets. Écrire à leur sujet est une façon de les conserver. Pour les faire circuler dans la vie des autres », écrit Margarida Ferra dans le livre, qui compile plusieurs textes courts, sur des épisodes, des impressions, des souvenirs qui invitent le lecteur à partager leur intimité.
De la laine tricotée, des voyages en Grèce, des visites de musées, des jours de confinement, des bagues perdues, des jeux de société en famille, le café du coin et un garçon du Pakistan, des matchs de football dans la ville, un missel, des souvenirs de grand-père, des albums photo, un missel et une tombe, la maternité, toute une collection privée de lieux que Margarida a choisi d’apporter à son premier livre de prose.
Les thèmes ont émergé, pour nourrir une pensée que j’ai voulu développer, qui est l’idée que les choses, les objets, les matériaux « passent à travers nous temporairement, nous n’en sommes pas vraiment propriétaires » et « cela nous fait aussi penser aux musées ».
« Je pense que c’est le charme des musées et c’est pourquoi j’aime tant les musées, parce que je pense qu’il y a une relation entre un temps qui voulait se figer et le monde dans lequel nous vivons, et c’est le mouvement qui m’intéresse dans le musée, c’est toujours essayer de lire le monde dans lequel nous vivons à partir de ces découpes qui sont figées derrière des vitrines ».
C’est aussi « ces petites coupures de réalité, comme des morceaux », qui l’ont amenée à « construire un poème puis un livre de poèmes, avec cet ensemble », explique Margarida Ferra, qui a déjà publié deux recueils de poésie, dont le dernier en 2013.
« Ce qui s’est passé, c’est que, finalement, je n’avais plus l’envie d’écrire de la poésie. La forme du poème, pour ce que j’avais, pour mon désir, pour mon rapport au texte, ne me servait plus, c’était une forme plus limitée, et j’ai ressenti le besoin d’allonger des textes plus longs, même si ces textes sont composés de fragments », a-t-il dit.
Mais dans tous les genres, poésie ou prose, il y a une continuité dans l’œuvre, dans sa façon d’écrire, elle a révélé, expliquant que ce qui l’a excitée et ce qui l’a amenée à écrire un poème, au fond, c’est le même qui l’excite et qui la motive à assembler ces fragments.
C’est décrit dans le livre à un moment donné : « Je pars pour le texte avec une liste d’idées. Des images qui, il y a quelques années, auraient été le déclic d’un poème ».
La différence est qu’au fil du temps, l’auteur a commencé à sentir que, pour ce qu’elle avait à dire, le poème était « une unité beaucoup plus petite ».
« J’aurais pu choisir d’écrire des poèmes narratifs, mais, en fait, ce qui m’a intéressé dans l’écriture de ces textes, comme dans certains que j’aime beaucoup lire, c’est l’idée que le lecteur soit fixé sur une image qui est dans le texte, sans savoir où elle va mener. En gros, c’est aussi un peu le souffle de la chronique. Et c’est ce souffle que j’ai cherché dans ces textes, quelque chose que je n’ai pas pu faire dans la poésie ».
Margarida Ferra a commencé à écrire ce livre en 2021 et, bien que certains des anciens épisodes décrits soient contenus dans des notes éparpillées qu’elle avait prises à l’époque, elle ne les a pas utilisées, elle a récupéré « la mémoire de ces notes, mais pas ces notes ».
« Je ne suis pas allé dans le tiroir pour nettoyer le tiroir, avec des choses qui étaient vieilles là-bas. Non, tout a été construit pour être ce livre, et j’ai commencé à le faire après la pandémie. J’ai commencé avec une certaine idée que j’avais besoin de contrôler un peu la réalité que je me sentais hors de contrôle pour diverses raisons, celles que nous connaissons tous et d’autres plus privées, dans ma famille. J’ai donc ressenti ce besoin, et l’écriture m’a donné cette possibilité de façonner la réalité, au lieu d’être façonnée par elle.
Margarida Ferra peut même noter des idées dans des cahiers – elle a toujours un carnet avec elle, dans lequel elle prend des notes – mais quand elle travaille réellement, quand elle décide que l’écriture est un projet et qu’elle s’y consacre, elle écrit tout sur l’ordinateur.
« Je n’écris pas par fragments et je ne les colle pas. Non, j’écris par textes et les textes sont composés de fragments, comme des perles sur un fil, n’est-ce pas ? Je fais ce fil, je rassemble ces petits morceaux, ces morceaux, ces fragments.
Pour l’instant, la fiction et le retour à la poésie ne sont pas à l’horizon. Il a toujours eu « un rapport à l’écriture », mais il lui manque l’idée d’un roman, et il aimait écrire de la poésie, mais il ne se voit pas y retourner, car – comme il l’explique – ce type de textes, qui constituent le « Saber perder », répond davantage au courant de sa pensée et de son rapport au langage.
« L’écriture est toujours présente. La façon dont il organise ma pensée. Une certaine façon de garder le monde, de relier des points épars en fragments rassemblés et agencés dans un texte en pointillés comme celui-ci. (…) Un geste vers ceux qui savent lire : mes points sont liés à d’autres, à des pièces d’autres collections », écrit Margarida Ferra dans le texte qui clôt le livre.
L’écrivain, auteur des livres de poésie « Curso intensiva de gardenação » et « Sorte de principiante », est diplômé en sciences de la communication, a suivi une maîtrise en muséologie, axée sur la relation entre les musées, les gens et la littérature, et a travaillé, entre autres, au Palácio da Ajuda, dans des librairies et des maisons d’édition, à la Casa Fernando Pessoa et au Musée de la marionnette. Il travaille actuellement à Quinta Alegre – un théâtre dans chaque quartier ».











