LDT NEWS 24 JANVIER 2025
Este é o vigésimo quarto dia do ano. Faltam 342 dias para o termo de 2025.
Pensamento do dia: "Caminhe-se para a liberdade através da liberdade!"
António Sérgio (1883-1969), filósofo e historiador português.
2000 – A maior companhia discográfica britânica EMI confirma um acordo de fusão com a Time-Warner, criando a maior editora discográfica do Mundo. A nova companhia é uma "joint-venture" que se chamará EMI Time Warner e será detida a 50 por cento por cada uma das editoras.
2003 – Abre oficialmente a iniciativa Coimbra 2003 – Capital Nacional da Cultura, com uma homenagem ao médico e escritor Miguel Torga.
Jovem médio francês Andrea Dacourt reforça plantel do Torreense
Torres Vedras, Lisboa, 23 jan 2025 (Lusa) - O Torreense contratou o jovem médio francês Andrea Dacourt, que alinhava no segundo escalão da Bélgica, anunciou hoje o clube que ocupa a quarta posição na II Liga de futebol.
Internacional jovem por França, o futebolista, de apenas 19 anos, assinou um contrato válido até 2027, depois de ter alinhado nos belgas do Francs Borains na primeira metade desta temporada.
No currículo, Dacourt conta com passagem pelos gauleses do Nice, pelo qual se estreou no escalão principal daquele país, em 2022/23, tendo depois rumado aos italianos da Sampdoria, em que apenas representou as equipas de formação.
Festival internacional de Filosofia levará uma dezena de pensadores a Cascais em junho
Cascais, Lisboa, 23 jan 2025 (Lusa) – A estreia de um festival internacional de Filosofia e a manutenção de iniciativas como o Cooljazz, o Estoril Open e o Christmas Village estão na agenda do município de Cascais para 2025,

Parlamento recebe Presidente francês com sessão solene em 27 de fevereiro
Lisboa, 22 jan 2025 (Lusa) – O parlamento recebe o chefe de Estado francês com uma sessão solene no dia 27 de fevereiro, na qual discursa Emmanuel Macron e que contará com as presenças do Presidente da República e do primeiro-ministro de Portugal.
Esta sessão solene foi comunicada aos jornalistas, hoje, pelo porta-voz da conferência de líderes, o deputado social-democrata Jorge Paulo Oliveira, embora adiantando que o modelo ainda não se encontra fechado.
Jorge Paulo Oliveira referiu que, na história recente das relações franco-portuguesas, sempre que se realizou uma visita de Estado de um Presidente de França a Portugal houve também uma sessão solene na Assembleia da República. Tal aconteceu, apontou, com as visitas de Estado de François Mitterrand, Jacques Chirac, e Giscard d'Estaing.
Na sessão solene do parlamento, além do discurso de Emmanuel Macron, está também prevista uma intervenção do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, estarão presentes, mas, pelo protocolo destas cerimónias no parlamento, não discursam.

ENTREVISTA: Linda Martini editam esta semana "Passa-Montanhas", primeiro álbum com a nova formação
*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***
*** Joana Ramos Simões, da agência Lusa ***
Lisboa, 22 jan 2025 (Lusa) – Os Linda Martini editam esta semana "Passa-Montanhas", um álbum "virado para dentro" que reflete o que se passa no mundo e o processo de mudança na formação da banda, com a entrada do guitarrista Rui Carvalho.
"Passa-Montanhas", a ser editado na sexta-feira, é o primeiro gravado pelos Linda Martini desde a saída de Pedro Geraldes e a consequente entrada de Rui Carvalho (Filho da Mãe).
A mudança de um dos elementos poderia significar um corte com o passado, mas não foi o caso.
"Não é um disco de rutura total, mas também não foi por vontade nossa, de não querer fazer coisas diferentes. Nós queremos sempre. A questão é que já há uma identidade tão vincada, que o natural para o Rui foi ele tentar encontrar um espaço e perceber como todos funcionamos juntos", contou o vocalista do grupo, André Henriques, em entrevista à agência Lusa.
Embora não seja um álbum conceptual, há um assunto que atravessa "Passa-Montanhas": "A ideia de conversar melhor".
Entre composição e gravação, os quatro passaram "tanto tempo à volta das canções, como de pratos e comida", com muita conversa pelo meio.
"Foi um disco em que nos fechámos muito sobre nós. Tinha de ser assim, também para tentarmos encontrar esse espaço de diálogo. E acho que isso se nota", disse André Henriques.
Ao mesmo tempo, como tiveram bastante tempo em conjunto para refletir, "muitos temas que vinham para cima da mesa – sobre a atualidade, seja ela social ou política – acabam depois também por transpirar para o disco".
"Ao mesmo tempo que é um disco virado para dentro e para nós, que foi assim que ele precisou de ser para crescer, reflete também muito aquilo que foi este nosso momento e o que se passa à nossa volta", reforçou.
Pedro Geraldes deixou a banda em fevereiro de 2022, pouco antes da edição de "Êrror". Nessa altura foi substituído por Rui Carvalho, inicialmente tendo em conta apenas a digressão de apresentação do álbum.
"Assim que tivemos um tempo para compor, conseguimos logo perceber que existia uma química, que já tinha sido começada quando ele entrou na banda. Tivemos muito tempo de estrada, muitas conversas para estreitarmos essa ligação e aprendermos, ou reaprendermos, a fazer música entre os quatro", partilhou André Henriques.
O processo de composição de "Passa-Montanhas" começou, à semelhança de álbuns anteriores, com uma residência, forma que os músicos arranjaram de fugir ao dia-a-dia, aos compromissos fora do contexto da banda.
Durante quase uma semana, ficaram "quase num 'tanque criativo'", no Espaço Serra, em Leiria.
"Foi a primeira residência que fizemos em que não levávamos praticamente nada de casa. Normalmente nas outras tínhamos sempre uma mão cheia de ideias que íamos desenvolver. Aqui foi uma tábua rasa e tentar perceber o que é que ia surgir dali", recordou.
O processo de gravação acabou por acontecer também em 'isolamento', na Catalunha, Espanha, com o produtor Santi Garcia, com quem já tinham trabalhado.
O estúdio de gravação situa-se entre duas montanhas, num cenário idílico, e ali passaram vários dias.
Entre as dez canções que compõem "Passa-Montanhas" há algumas "muito pessoais", que abordam "assuntos particulares que não são decifráveis para quem está de fora", "mas outras sobre assuntos extra pessoais, mais sociais".
"Olhamos à volta e percebemos que as pessoas perderam a habilidade de conversar, de perceber pontos de vista diferentes, e acho que isso está presente nas canções também. De facto, as pessoas precisam de aprender a conversar melhor", defendeu o músico.
No disco há menções a Chico Buarque, José Afonso e José Mário Branco, referências musicais "de sempre" dos elementos da banda, que podem não ser óbvias quando se pensa no som que fazem, que "cai no caldeirão do rock".
"Nascemos todos nos anos 80 e faz parte da nossa geração. Crescemos com essa discografia herdada dos nossos pais: Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, outros nomes da música brasileira, e os chamados cantores da revolução, Zeca Afonso, Zé Mário Branco, Sérgio Godinho", afirmou.
Estes e outros nomes estão presentes desde sempre na ideia e imagem de canção que os quatro têm. "As pessoas com quem aprendemos a musicar a língua, a perceber que música é que o português tinha são esses nomes. Isso deixa algumas marcas", disse.
"Passa-Montanhas", a ser editado em CD e vinil, é apresentado ao vivo em 31 de janeiro em Lisboa, no LAV-Lisboa ao Vivo, e em 01 de fevereiro, no Porto, no Hard Club.
Marca portuguesa Ernest W. Baker cruza realidade e ficção na Semana da Moda de Paris
Paris, 21 jan 2025 (Lusa) – A nova coleção outono/inverno da marca portuguesa Ernest W. Baker inspira-se num filme de John Carpenter para cruzar ficção e realidade, disseram hoje os criadores, a participar na Semana da Moda de Paris.
Na sua sexta participação na Semana da Moda para Homem, que decorre entre hoje e domingo, os 'designers' e fundadores Inês Amorim e Reid Baker apresentam em exposição roupas, calçado e acessórios num estúdio próximo à Praça da República da capital francesa.
"Esta coleção foi inspirada pelo filme 'O Nevoeiro' (1980), de John Carpenter, olhar para o que é ficção e realidade, jogar um bocado com isso e transformar em 'looks'", disse a 'designer' portuguesa Inês Amorim, em entrevista à Lusa.
Com cores neutras a predominar, mas também tons de vermelho, cor-de-rosa e dourado, a nova coleção da marca apresenta novas versões de criações como luvas, botas e a mala "presente".
"Nós focamo-nos muito nos clássicos, mas gostamos de ter sempre um 'twist', jogar com os tecidos clássicos, como o 'patchwork', o 'pinstripe', e misturar uns diferentes", descreveu a 'designer', acrescentando que gostam de pegar em padrões clássicos da alfaiataria e reinventar para "trazer para o contemporâneo".
Para o cofundador norte-americano, Reid Baker, a estética do filme de horror dos anos 1980 permitiu o uso de lantejoulas para fazer o paralelo entre a ficção e a realidade nas peças produzidas em fábricas portuguesas em Viana do Castelo, por pessoas com quem têm uma grande proximidade.
"Tudo o que nós fazemos é feito em Portugal à mão, nós podemos criar tudo isto porque temos sede em Portugal e gostamos de trabalhar com as pessoas que trabalham à mão, fazer as peças em crochê e os detalhes", afirmou Reid Baker, destacando a qualidade do trabalho.
Também os vídeos e fotografias são feitos em Portugal, com a nova coleção a ter sido registada no cinema Charlot, no Porto, encerrado desde 2001, com a preocupação também de eternizar espaços esquecidos.
Reid Baker referiu que, apesar de serem "uma marca independente", sem apoios, conseguem ultrapassar os desafios que vão surgindo, principalmente após mudarem a sede para o Porto.
"Criar uma marca do nada tem sempre muitos desafios, mas aprendemos todas as estações como melhorar, como jogar com os problemas na produção, mas como todo o processo é controlado por nós, que estamos em Portugal, conseguimos superar muitos desafios que existem por ter uma marca pequena", disse Inês Amorim.
Tendo como objetivo continuar a crescer, e caracterizando o ponto alto da marca como "uma junção de vários momentos", os 'designers' estão a pensar organizar "um desfile na próxima coleção", segundo Reid Baker.
Com várias lojas a vender peças da marca nos Estados Unidos da América, nomeadamente em Los Angeles e Nova Iorque, Reid Baker reconheceu alguma incerteza quanto aos próximos quatro anos, após o Presidente Donald Trump ter tomado posse na segunda-feira.
"Vamos ver o que se vai passar", afirmou.
Com um estilo andrógino, a Ernest W. Baker já vestiu celebridades como Pharrell Williams, Harry Styles, Lady Gaga, Justin Bieber.
Desde 2020 que a Ernest W. Baker, cujo nome é uma homenagem ao avô de Reid Baker, um dos primeiros publicitários de Detroit, nos Estados Unidos, se apresenta em Paris, após ter ficado entre os 20 semifinalistas dos prémios LVMH em 2018.
O calendário oficial da Semana da Moda Masculina de Paris de 2025 inclui apresentações de marcas como Dior, Hermès, Jacquemus, Louis Vuitton e Kenzo, entre outras.
José Cesário destaca papel da comunidade portuguesa na promoção de Portugal em visita ao Canadá
Toronto, Canadá 19 jan 2025 (Lusa) - O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, afirmou hoje que a comunidade portuguesa tem desempenhado um papel central na promoção de Portugal no exterior, como destino de vida, turismo e investimento.
Durante a visita ao Canadá, que teve início na quinta-feira e termina este domingo, o governante destacou em declarações à agência Lusa o contributo das associações e dos lusodescendentes para a imagem do país.
"O trabalho das associações, dos nossos políticos e, particularmente, dos lusodescendentes, é fundamental para divulgar Portugal como um país moderno, seguro e acolhedor", disse à Lusa. "Estamos a ter resultados muito positivos, com mais pessoas a fixar-se em Portugal e a olhar o país como uma alternativa de vida, algo que até há poucos anos era menos comum", acrescentou.
A visita ao Canadá incluiu passagens por Toronto e London, onde o secretário de Estado participou em reuniões institucionais e encontros com membros da diáspora.
No primeiro dia, José Cesário esteve na Casa do Alentejo de Toronto para dialogar com a comunidade portuguesa. No dia seguinte, reuniu-se com a Coordenação do Ensino da Língua Portuguesa e as leitoras das universidades de Toronto e York, além de conselheiros das Comunidades Portuguesas.
Ainda nesse dia, encontrou-se com Olivia Chow, presidente da Câmara de Toronto, que elogiou o impacto da comunidade lusa na cidade. Em London, Cesário esteve com a deputada provincial lusodescendente Teresa Armstrong, líderes comunitários e membros da comunidade local.
No sábado, durante uma visita à Escola do First Portuguese Canadian Cultural Centre, Cesário acompanhou a assinatura de um protocolo de cooperação entre o Instituto Camões e a instituição.
"Este é um passo muito importante para reforçar o ensino do português e responder às necessidades e interesses da nossa comunidade, especialmente das novas gerações", destacou.
Seguiu-se o jantar de gala do 25.º aniversário da Casa das Beiras, em Toronto, um evento que reforçou o papel das associações na preservação da cultura portuguesa.
José Cesário fez um balanço muito positivo da visita e sublinhou a crescente satisfação da comunidade com os serviços consulares.
"O Consulado-Geral de Toronto, por exemplo, aumentou em cerca de 20% o atendimento entre 2023 e 2024. Isto demonstra o esforço significativo que temos feito, não só em termos de volume de atos, mas também na qualidade do serviço prestado", afirmou, enaltecendo o empenho do embaixador António Leão Rocha e da cônsul-geral Ana Luísa Riquito no atendimento à comunidade portuguesa.
Outro tema destacado pelo secretário de Estado foi a importância do ensino da língua portuguesa na diáspora.
"As escolas comunitárias têm um papel muito importante, mas também os sistemas de ensino que integram o português nos seus currículos. Este interesse crescente está diretamente relacionado com a imagem de Portugal no mundo e com a valorização das nossas raízes por parte da diáspora", afirmou.
A retoma das permanências consulares foi outro ponto central da visita. Cesário destacou que este modelo tem sido essencial para garantir o acesso aos serviços consulares em regiões mais distantes, evitando que centenas de pessoas precisem deslocar-se a Toronto ou Montreal. "É uma forma de estarmos mais próximos das comunidades mais dispersas, respondendo diretamente às suas necessidades", explicou.
Segundo o censo canadiano de 2021, residem no Canadá 448.310 portugueses. Para José Cesário, a relação entre Portugal e os seus emigrantes envolve um compromisso constante de promoção da língua, cultura e valores portugueses.
"A ligação entre Portugal e a diáspora é uma das nossas prioridades. É fundamental garantir que as próximas gerações não só preservem, mas também aprofundem o vínculo com o nosso país", concluiu.
"A Invenção do Amor" regressa às livrarias nos cem anos do poeta cabo-verdiano Daniel Filipe
Lisboa, 19 jan 2025 (Lusa) – O livro "A Invenção do Amor e outros poemas", de Daniel Filipe, é reeditado na próxima quarta-feira, no âmbito do centenário do nascimento do poeta cabo-verdiano, uma publicação que inclui o prefácio da edição de 1969, pelo editor livreiro Francisco Espadinha.
Em comunicado, a Editorial Presença, que chancela a edição, realça que "A Invenção do Amor", de 1961, é "uma obra-prima da poesia de resistência em pleno Estado Novo" e "o poema mais emblemático de Daniel Filipe".
O longo poema, uma distopia com referências óbvias à ditadura, descreve a perseguição movida contra duas pessoas que, pelo simples facto de se amarem, subvertem a ordem e a rotina, e põem em causa "a cidade, o país, a civilização do Ocidente".
Para o compositor Luís Cília, que conheceu Daniel Filipe e o musicou, o regresso de "A Invenção do Amor" às livrarias "é maravilhoso", por se tratar de uma obra-chave de "um grande poeta que vale a pena ser descoberto pelas novas gerações e não só a dos anos 1960".
A obra, há muito esgotada, teve a mais recente reedição em 2002, há 23 anos, segundo a Bibliografia Nacional Portuguesa, da Biblioteca Nacional, com base no Depósito Legal do mercado livreiro.
Cília referiu-se ao poema "A Invenção do Amor" como um "livro combativo". O compositor conheceu Daniel Filipe através do escritor Alfredo Margarido, que frequentava a Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, um núcleo de resistência à ditadura do Estado Novo.
Daniel Filipe era "um homem maravilhoso com um sorriso absolutamente luminoso, um bom conversador e muito informado", disse Luís Cília à agência Lusa, lembrando que foi através do poeta que conheceu o trabalho de Leo Ferré e Georges Brassens, o que mudou o rumo ao seu percurso. "Aprendi muito com ele", afirmou.
Originalmente publicado em 1961 pela antiga chancela Sagitário, o poema "A Invenção do Amor" entrou em 1969 para o catálogo da Editorial Presença, onde teve sucessivas reedições, depois de inaugurar a coleção Forma, acompanhado de "Canto e Lamentação na Cidade Ocupada" e "Balada para a Trégua Possível".
Em 1973, por iniciativa do editor fonográfico Arnaldo Trindade (1934-2024), "A Invenção do Amor" foi publicada em disco na etiqueta Orfeu - a mesma de José Afonso, à data -, num álbum dedicado à obra do poeta, que recuperava a gravação da obra pela sua própria voz, a par de outros poemas ditos pelo ator Mário Viegas.
"A Invenção do Amor" abre assim: "Em todas as esquinas da cidade/ nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas/ janelas dos autocarros/ mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de/ aparelhos de rádio e detergentes/ na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém/ no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa/ esperança de fuga/ um cartaz denuncia o nosso amor".
No prefácio, Francisco Espadinha (1934-2020), fundador da Editorial Presença, que arriscou a publicação do livro por três vezes durante a ditadura, fez notar que Daniel Filipe, neste poema, amplia "em substância a dimensão do amor à esfera de toda a solidariedade humana".
"É pela sua negação, pela sua impropriedade verbal, pelo contraste com o mundo em que se intromete, que a nova linguagem mina a certeza da outra, forçando até ao seu último limite o categórico da linguagem rigidamente submetida ao quotidiano até que esta se comece a desconjuntar, a tornar-se por sua vez desconexa e a perder terreno neste embate entre o real e o possível", escreveu Francisco Espadinha.
Daniel Damásio Ascensão Filipe nasceu na Ilha da Boavista, em Cabo Verde, em 11 de dezembro de 1925. Veio para Portugal, ainda criança, com a família, que se fixou em Lisboa, cidade onde concluiu o curso dos liceus. Viveu numa casa na avenida de Roma, espaço de muitas tertúlias e projetos. Perseguido pela PIDE, polícia política da ditadura, foi preso e torturado. Morreu em 06 de abril de 1964, aos 39 anos.
Daniel Filipe foi codiretor das Notícias do Bloqueio, uma série de nove cadernos de poesia editados entre 1957 e 1961, de raiz antifascista, que tomaram para nome o título de um poema de Egito Gonçalves. Colaborou com publicações como a Seara Nova e a Távola Redonda, revista para a qual dirigiu a coleção de poesia, o jornal Diário Ilustrado e a luso-brasileira Atlântico. Trabalhou na extinta Agência Geral do Ultramar, na área de informação, foi realizador da ex-Emissora Nacional, responsável pelo programa literário Voz do Império.
O poeta estreou-se nas letras em 1946 com "Missiva", seguindo-se "Marinheiro em Terra" (1949), "O Viageiro Solitário" (1951), "Recado para a Amiga Distante" (1956), "A Invenção do Amor" (1961), "Pátria, Lugar de Exílio" (1963). Arriscou o romance com "O Manuscrito na Garrafa" (1960), recebeu o Prémio Camilo Pessanha por "A Ilha e a Solidão" (1957), escrito sob o pseudónimo de Raymundo Soares.
A poesia de Daniel Filipe foi cantada por Luís Cília, Manuel Freire, Fausto Bordalo Dias. O poema "A Invenção do Amor" foi adaptado ao cinema por António Campos, em 1965.
ne cherchez pas la traduction habituelle ou l'almanaque vous ne le trouveriez pas
merci de votre compréhension ceci est du à un problème indépendant de notre volonté
BOM DIA BOM FIM DE SEMANA/Belle journée à vous/BON WEEK-END


